Commodities: "Fator Moro" derruba preços de café e açúcar em Nova York
Fonte: Valor Econômico (27 de abril de 2020)

A alta do dólar ante o real, motivada pela decisão do ministro da Justiça, Sergio Moro, de deixar o governo, pesou sobre as cotações do café e do açúcar hoje na bolsa de Nova York. Enquanto os contratos de café arábica com vencimento em julho caíram 5,03% (565 pontos), para US$ 1,0675 por libra-peso, os papéis do açúcar demerara de mesmo vencimento em julho caíram 5,03% (565 pontos), para US$ 1,0675 por libra-peso, os papéis do açúcar demerara de mesmo vencimento recuaram 2% (20 pontos) e fecharam a 9,81 centavos de dólar a libra-peso.
Ao longo do dia, o dólar renovou a máxima histórica ante o real e atingiu R$ 5,7469. A valorização da moeda americana costuma incentivar as exportações de países produtores, e o Brasil os embarques globais de açúcar e café.
Ao Valor, o analista Haroldo Bonfá, da Pharos, disse que o mercado de café também continua monitorando as projeções de mais uma safra farta no país este ano. A consultoria estima que a colheita brasileira chegará a 67 milhões de sacas em 2020/21 (20 milhões de conilon e 47 milhões de arábica). A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por sua vez, projeta 59,58 milhões de sacas.

Em relatório, o analista Adam Tuiaana, da RJO Futures, disse que apostadores na alta dos preços do café provavelmente manterão distância do mercado “enquanto esperam por mais testes, tratamentos e, finalmente, uma vacina para a covid-19″, disse.
No caso do açúcar, o analista Matheus Costa, da INTL FCStone, disse que, além da forte valorização do dólar ante o real, o sentimento de aversão a risco também pressionou as cotações da commodity. Nesta sexta-feira, os mercados amanheceram mais desanimados com a notícia de que o remédio Remdesivir, da farmacêutica Gilead, falhou nos testes clínicos contra o novo coronavírus.
Ainda na bolsa de Nova York, os preços do cacau fecharam em baixa, acompanhando outros ativos de risco. Assim, os lotes da amêndoa com vencimento em julho encerraram o pregão a US$ 2.323 a tonelada, queda de 1,69% (US$ 40).
Em relatório, a consultoria Barchart avaliou que os preços da amêndoa foram influenciados pelas preocupações com a demanda por chocolate no mundo. “Com o avanço da pandemia, existe a preocupação de que a demanda por chocolate sofrerá, à medida que os consumidores ficarem longe das lojas e limitarem seus gastos”.

No mercado de algodão, os preços fecharam em baixa após alta nas duas sessões anteriores. Os lotes futuros com vencimento em julho caíram 1,31% (74 pontos) no pregão, cotados a 55,63 centavos de dólar a libra-peso.
Apesar do ajuste de preços às últimas sessões, a principal notícia para a pluma segue de alta. Na quinta-feira, a China, principal compradora da pluma americana, se prepara para comprar 30 milhões de toneladas de produtos agrícolas dos EUA para aumentar suas reservas estatais. A expectativa é que o gigante asiático adquira 1 milhão de toneladas da produtos agrícolas dos EUA para aumentar suas reservas estatais. A expectativa é que o gigante asiático adquira 1 milhão de toneladas da pluma americana.