Colhido por escravos: café alimenta crise no Brasil

Fonte: Money Times (12 de dezembro de 2019)

(Imagem: Reuters/Adriano Machado)


 
Com o fim do período de colheita de café, auditores-fiscais do trabalho se apressaram para chegar a duas extensas plantações de Minas Gerais com um objetivo: resgatar trabalhadores da escravidão.
 
O comboio, escoltado pela Polícia Rodoviária Federal, iniciou a ação bem cedo, numa manhã de agosto, no Estado que cultiva mais da metade dos grãos no Brasil – o maior exportador de café do mundo.
 
Thomson Reuters Foundation acompanhou agentes em uma operação nos campos, à procura de catadores de café agachados em meio a inúmeras fileiras de plantas exuberantes.
 
Os auditores-fiscais sabem que precisam agir rapidamente, pois os capatazes ordenam que os trabalhadores fujam ao primeiro vislumbre de funcionários do governo, e usam o WhatsApp para enviar alertas.
 
No final do dia, eles já tinham inspecionado duas plantações e encontrado 59 trabalhadores – inclusive crianças de 13 anos de idade – todos sem documentos, mal remunerados e sem os equipamentos de segurança exigidos por lei.
 
“Os trabalhadores não tinham direito algum”, afirmou Marcelo Campos, o auditor-fiscal do trabalho que coordenou as operações.
 
Os empregados sabiam que estavam sendo explorados, mas não acreditam que tenham outra opção em um país cuja pobreza cresce a cada dia e os empregos são escassos.
 
“Não tem outro jeito”, disse um deles, recusando-se a se identificar para não perder oportunidade de trabalhar em outra das milhares de plantações do Estado, que abrigam mais de 245.000 trabalhadores.