Clima econômico da América Latina recua pelo quarto trimestre seguido, aponta FGV

Fonte: Valor Econômico (24 de agosto de 2022)

Puxado principalmente pela piora das expectativas, o  América Latina divulgada nesta segunda-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Este é o quarto trimestre seguido de queda do Indicador de Clima Econômico (ICE), na comparação ao trimestre imediatamente anterior. O índice ficou em 54,7 pontos no terceiro trimestre, uma retração de 12,6 pontos ante o segundo trimestre (67,3 pontos).

 

O resultado também é o menor desde o segundo trimestre de 2020, no início da pandemia, quando chegou a 41,7 pontos, o mais baixo de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2007. Sem considerar o período da pandemia, o menor patamar antes deste terceiro trimestre de 2022 tinha sido registrado no terceiro trimestre de 2017 (74,1 pontos).

 

O indicador é composto por dois índices diferentes: o da situação atual (ISA) e o de expectativas (IE). No de situação atual, o nível caiu de 48,8 pontos no segundo trimestre para 44,3 pontos no terceiro trimestre, 4,5 pontos a menos. É o menor desde o segundo trimestre de 2021 (28,2 pontos). Já o índice de expectativas despencou de 87,2 pontos no segundo trimestre para 65,5 pontos no terceiro trimestre, uma diferença de 21,7 pontos. No caso do IE, foi o resultado mais baixo desde o primeiro trimestre de 2009, na época da crise financeira internacional (35,4 pontos).

 

“Tivemos uma piora muito grande no índice na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Já tivemos níveis baixos como esse antes, mas agora chama a atenção essa queda forte. Em geral, piorava o clima econômico, mas muito puxado ao clima atual. Só que agora o que mais influencia o resultado é a piora das expectativas. Isso é um sinal de alerta, indica uma desaceleração econômica nos próximos meses”, afirma a pesquisadora associada do FGV Ibre Lia Valls.

 

O desempenho do índice também é muito influenciado pelo resultado do Brasil, já que os números são ponderados de acordo com o peso da economia de cada país na região. O Indicador de Clima Econômico (ICE) do Brasil fiou em 54,5 pontos no terceiro trimestre, uma queda de 8,2 pontos frente ao trimestre anterior. O índice é uma combinação de um índice de situação atual de 42,9 pontos (12,9 pontos acima do trimestre anterior) e de um índice de expectativas de 66,7 pontos (33,3 pontos abaixo do trimestre anterior).

 

“Quando se olha regionalmente, há uma influência grande do resultado do Brasil. Estamos em um ano eleitoral, em que geralmente há mais incerteza. E o cenário atual é muito conturbado. Temos a questão da inflação também e os indicadores econômicos não estão muito bons, apesar de terem melhorado um pouquinho”, diz ela.

 

De qualquer forma, dos dez países da América Latina que compõem o índice, oito tiveram queda da confiança na passagem entre o segundo e o terceiro trimestres de 2022. As únicas exceções foram Paraguai (9,9 pontos, para 101,1 pontos) e Bolívia (1,7 ponto, para 67,6 pontos). A maior queda ocorreu no Uruguai (-27,0 pontos). Apesar disso, o Uruguai, junto com o Paraguai, são os únicos países com ICE na zona favorável. O ICE varia de 0 a 200 pontos. Os resultados de 100 pontos ou mais estão na chamada zona favorável, quando há uma perspectiva mais positiva da confiança.

 

Lia Valls, economista do Ibre — Foto: Leo Pinheiro/Valor