Cargill prevê menor lucratividade no Brasil em 2022 por custos com transporte
Fonte: Moneytimes (25 de abril de 2022)

O lucro da Cargill no Brasil registrou queda de 15% em 2021 na comparação com 2020 (Imagem: REUTERS/Denis Balibouse/File Photo)
A Cargill, maior exportadora de soja e milho do Brasil, avalia que o setor de trading de commodities está sendo desafiado em 2022 pela alta de custos de combustíveis para o escoamento da produção, o que tende a reduzir a lucratividade, mas vê a demanda da China por grãos brasileiros como “sólida” e a margem de esmagamento no país sul-americano em um dos níveis mais altos da história.
Em entrevista à Reuters, o presidente da Cargill no Brasil, Paulo Sousa, disse ainda que a segunda safra de milho do país estimada para ser recorde em 2021/22 pode dar um impulso nos negócios. Mas a questão dos custos com combustíveis –o frete rodoviário em um país continental é chave para o setor– pode comprometer os resultados, algo que tem impactado o escoamento da colheita de soja, bem menor em função da severa seca no Sul, no último verão.
“A safrinha promete, mas as dificuldades de executar a safra de verão foram significativas, e grande parte da safrinha foi negociada no ano passado, quando não tinha a visão de frete (mais caro) que temos hoje. Não quero ser pessimista para o setor… Mas a realidade é que na nossa visão a execução geral da exportação neste ano é menos lucrativa do que no ano passado”, disse Sousa.
O lucro da Cargill no Brasil registrou queda de 15% em 2021 na comparação com 2020, para 1,8 bilhão de reais, informou a empresa nesta segunda-feira, citando maior pressão de custos de operação, como energia mais cara e outros insumos industriais. Mas o principal fator, o “gigante” para a redução da lucratividade, foi a quebra de safra de milho no ano passado, disse Sousa.
“A redução no volume foi o principal fator que levou a uma redução no nossa lucratividade (em 2021). A situação normal é esperar: se cai o volume, cai também o custo variável, mas por conta das altas dos insumos os custos variáveis não caíram na mesma proporção que se esperava com a redução do volume”, disse ele, explicando que o segmento precisa de grandes volumes para diluir seus custos.