Cade aprova compra de ativos de margarinas da Bunge pela Seara
Fonte: Valor Econômico (19 de novembro de 2020)
O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira a aquisição, pela Seara, do setor de maionese e margarina da Bunge. A compra vai agregar cerca de R$ 1 bilhão ao faturamento do negócio brasileiro de aves, suínos e alimentos processados da JBS.
O negócio, fechado no final do ano passado por R$ 700 milhões, envolve as fábricas de São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, bem como as marcas Delícia, Primor e Gradina.
O caso foi levado ao plenário após o conselheiro Luiz Braido entender que poderia haver concentração elevada no segmento de margarinas.
Relator do caso, o conselheiro Sérgio Ravagnani entendeu, entretanto, que o negócio não teria efeito significativo sobre a concentração de mercado no segmento, que já é elevada. A área técnica do Cade já havia aprovado o negócio em agosto, sem restrições.
Avanço da Seara
Além da compra dos ativos da Bunge, a Seara pôs em marcha um pacote de investimento para dobrar a capacidade de produção até 2024. Atualmente, 12 fábricas estão em obras.
Nos últimos doze meses encerrados em setembro, a Seara registrou receita líquida de R$ 24,9 bilhões. Com a compra dos ativos de margarinas e maioneses, as vendas devem se aproximar de R$ 26 bilhões.
Para a Seara, a aquisição representará uma oportunidade para avançar em um segmento no qual a BRF, dona da marca Qualy, é hegemônica. A Seara passará a contar com fábricas de margarina, ganhando competitividade.
Atualmente, a BRF detém 56,3% do mercado brasileiro de margarinas, conforme dados da consultoria Nielsen. Além da Qualy, a empresa é dona da marca de margarina Claybon e voltou a ter o direito de produzir e comercializar a marca Becel.
O negócio de margarinas, em geral, rende boas margens para as empresas de alimentos.
