Bunge amargou prejuízo no 1º trimestre

Fonte: Valor Econômico (06 de maio de 2020)

A americana Bunge, uma das maiores companhias de agronegócios do mundo, encerrou o 1º trimestre deste ano com prejuízo líquido de US$ 183 milhões, ante lucro de US$ 45 milhões no mesmo período do ano passado.
 
A receita do grupo recuou 7,7% na comparação anual, para US$ 9,173 bilhões. O resultado antes de juros e impostos (Ebit) também foi negativo (US$ 170 milhões), contra um resultado positivo de US$ 150 milhões um ano antes.
 
Segundo informações divulgadas pela empresa, seu prejuízo trimestral refletiu as marcações a mercado no fechamento do período de posições de hedge, que resultaram em perdas contábeis de aproximadamente US$ 385 milhões.
 
“Nossos negócios de base desempenharam bem durante o trimestre, e esperamos que os ajustes de marcação a mercado que incorremos sejam revertidos nos próximos trimestres”, disse Greg Heckman, CEO da Bunge, em nota.
 
A divisão de agronegócios, que inclui as operações de grãos da companhia, registrou Ebit negativo de US$ 127 milhões. Apenas as perdas contábeis com a marcação a mercado de hedges de óleos vegetais foram de US$ 195 milhões.
 
Mas a Bunge também teve margens menores no processamento de soja em todas as regiões em que atua no mundo – com exceção da China, onde a oferta da oleaginosa está menor. Já as margens de processamento de outros grãos aumentou diante de receios de que a pandemia do coronavírus afetasse a disponibilidade dos produtos.
 
A companhia também registrou Ebit negativo de US$ 50 milhões em seu negócio de açúcar e bioenergia no Brasil, que já refletem as operações em conjunto com a BP. O prejuízo operacional reflete o momento de entressafra e perdas de US$ 25 milhões com a conversão cambial.
 
Já o resultado dos negócios de óleos alimentares ao consumidor final foi positivo em US$ 46 milhões, mas 23% menor do que um ano atrás. O Ebit positivo refletiu resultados melhores na América do Norte, Argentina e Europa, compensando resultados fracos no Brasil e na Ásia. No negócio de moagem, o Ebit foi positivo em US$ 18 milhões, e em fertilizantes, de US$ 5 milhões.
 
O CEO da Bunge acrescentou, em nota, que a companhia “não experimentou disrupções significativas” por causa da covid-19, “embora nós tenhamos começado a ver o impacto da mudança do comportamento do consumidor em partes de nosso negócio de óleos alimentares em março”.