Brasil receberá primeiro navio a propulsão híbrida da América Latina

Fonte: Valor Econômico (12 de novembro de 2020)

Wärtsilä vai converter o CBO Flamengo para ser operado com propulsão híbrida — Foto: Reprodução/grupocbo.com.br


 
A companhia finlandesa Wärtsilä fechou contrato para converter um navio da frota do Grupo CBO, o CBO Flamengo, unidade de apoio a plataformas do setor de óleo e gás, do tipo PSV (“plataform supply vessel”). Com isso, o Brasil será o primeiro país da América Latina a receber um navio operado com propulsão híbrida. A tecnologia permite que o motor da embarcação alterne entre o diesel e a energia proveniente de baterias, acarretando no aumento da eficiência energética e redução das emissões de carbono.
 
A Wärtsilä será responsável pelos equipamentos da conversão, engenharia, gerenciamento, entrega de solução híbrida e comissionamento, além da logística reversa de descarte das baterias, enquanto o CBO fará a instalação e integração do equipamento. A entrega dos equipamentos está programada para abril de 2021. Outros navios da frota da CBO também sã elegíveis para futura conversão.
 

“A hibridização é a adição de uma fonte de potência, nesse caso, limpa. Não é uma fonte poluente, como o diesel é hoje nos motores. Nos Estados Unidos e Canadá já existem algumas hibridizações de embarcações. Na Europa, no Mar do Norte, há uma lista de referência mais robusta, mas isso ainda é muito novo na América do Sul” diz o gerente de vendas de projetos e engenharia da Wärtsilä Marine Power, Luís Grotz.

 
De acordo com a Wärtsilä, o sistema híbrido aumenta a redundância de potência da embarcação, o que ameniza os efeitos dos picos intermitentes de carga, economiza combustível e reduz os níveis de emissão dos gases de exaustão. Além disso, há redução nos custos de manutenção, pois os motores operam por menos tempo. “Percebemos uma sensibilidade muito grande ao tema da redução de consumo e emissões por parte do mercado de petróleo”, afirma Grotz.
 
O executivo lembra que diversos portos já proíbem a entrada de embarcações poluentes, como na Holanda e em países escandinavos. Além disso, em janeiro de 2020 entrou em vigor um conjunto de regras definidas pela International Maritime Organization (IMO) que reduz os limites de enxofre em combustíveis marítimos.
 
Com isso, a companhia vê perspectivas para fechar novos contratos para aplicar a solução no Brasil em breve. “Estamos conversando com outras empresas do mesmo setor para aplicação de tecnologias similares, até mesmo em outros tipos de embarcação, como sondas de perfuração, floateis, entre outros. A indústria de óleo e gás como um todo está com um foco muito grande em ter operações com um impacto menor no meio ambiente”, diz o gerente de contas de vendas da Wärtsilä, Arturo Cortez.
 
Este ano, a petroleira francesa Total anunciou que também vai desenvolver, em parceria com o Centro de Desenvolvimento em Energia e Veículos (CDEV) da PUC-Rio uma tecnologia para conversão de embarcações convencionais para uma propulsão híbrida otimizada. O projeto tem conclusão programada para o primeiro semestre de 2022 e também será aplicado em PSVs.