ATP coordena as doações de portos privados no país

Fonte: Valor Econômico (16 de junho de 2020)

Murillo Barbosa, presidente da ATP: apoio ao direcionamento conjunto das iniciativas que ocorriam isoladamente — Foto: Ana Paula Paiva/Valor


Além de medidas preventivas e de proteção voltadas a seus colaboradores, para manter a operação dos portos privados em todo país, as empresas que integram a Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP) delegaram à entidade a função de coordenar as iniciativas de ajuda ao combate da pandemia da Covid-19. “O nosso papel, sem interferir na autonomia dos associados, é agir como facilitador e apoiar o direcionamento conjunto das ações que ocorriam isoladamente por meio de campanhas e outras iniciativas destinadas às localidades próximas aos terminais”, conta Murillo Barbosa, presidente da ATP. Até agora, com a compra de respiradores e testes, criação de leitos e distribuição de material de higiene, as doações somam R$ 420 milhões.
 
A entidade representa 29 empresas de grande porte que operam 56 terminais de uso privado no país e atuam nos segmentos de mineração, siderurgia, petróleo e gás, agronegócio, contêineres e complexos logísticos. Juntas, respondem por 66% das 1,1 bilhão de toneladas movimentadas pelos terminais portuários em 2019.
 
Uma das maiores doadoras é a mineradora Vale, que já investiu R$ 364,8 milhões dos R$ 500 milhões previstos para ações de combate ao novo coronavírus. Em 40 dias, a mineradora trouxe da China para serem entregues ao Ministério da Saúde 5 milhões de kits de teste rápido para detecção do vírus e 15,8 milhões de equipamentos de proteção individual (EPIs).
 
Além da doação de insumos para o governo federal, a mineradora está destinando 14,5 milhões de insumos para os seis Estados onde mantém operações (MG, PA, MA, ES, MS e RJ). A Vale é responsável pela construção de três hospitais de campanha (no PA, MA e RJ), reforma de dois hospitais (MG e PA), compra de ventiladores mecânicos, camas e monitores para quatro hospitais no Pará, além de equipamentos de monitoramento cerebral, ultrassom e robôs de monitoramento, entre outros itens hospitalares. A empresa também destinou R$ 2,3 milhões para construção de unidades de quarentena em Minas Gerais e Espírito Santo para apoiar a população indígena e quilombolas.
 
Outra grande doadora é a Suzano, uma das maiores fabricantes de papéis da América Latina e líder mundial na fabricação de celulose de eucalipto, que opera sete terminais portuários no Brasil. A empresa, segundo Patrícia Lascosque, superintendente de portos da Suzano, investiu R$ 50 milhões na importação de 159 respiradores e um milhão de máscaras hospitalares, além da construção de um hospital de campanha em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, com 20 leitos de UTI. “Logo no começo da pandemia, havia escassez de equipamentos e decidimos dar prioridade a essa ação”, diz a executiva que também é presidente do conselho diretor da ATP.
 
Em parceria com as empresas Flex, Positivo Tecnologia, Klabin e Embraer, a Suzano está apoiando a Magnamed, fabricante nacional de respiradores, para produção de 6.500 equipamentos que serão doados ao Ministério da Saúde, até agosto. Outra frente de apoio é junto às universidades. Além de insumos, como álcool gel e material de proteção individual, a Suzano também doou impressora 3D para confecção de máscaras de proteção e kits de reagentes para detecção do novo coronavírus e equipamentos pra essa finalidade. A doação de kits de reagentes foi fundamental para o Instituto de Biologia da Unicamp dar início à construção do Laboratório de Diagnóstico Molecular de Alto Desempenho, que ficou pronto em maio.
 
Localizado em São João da Barra, no norte fluminense, o Porto do Açu, terminal da Prumo Logística, doou insumos e equipamentos, além de R$ 2,5 milhões, arrecadados em parceria com a SBM e Equinor, para o Instituto Idor. A verba está sendo empregada para monitoramento e pesquisas clínicas que permitirão mapear a distribuição e transmissão da doença na população de Campos dos Goytacazes e Macaé, ambas no Rio de Janeiro. Outros R$ 2,8 milhões serão destinados a medidas de combate à Covid-19 pela Gás Natural Açu, joint venture formada pela Prumo Logística, a BP e a Siemens. Ainda no Rio de Janeiro, o Porto Sudeste, terminal privado do Porto de Itaguaí, distribuiu, em ação conjunta com a prefeitura, kits de higiene e cestas básicas para 500 famílias em situação de vulnerabilidade.
 
No Espírito Santo, a Portocel doou à prefeitura de Aracruz 21,2 toneladas de alimentos, equipamentos de proteção, álcool, gel, materiais de higiene e limpeza, destinados à população de baixa renda. As nove mil máscaras de tecido doadas foram confeccionadas por artesãs e costureiras da Criarte, um projeto que proporciona fonte de renda para as mulheres na região de Barra do Riacho. Para Jones Cavaglieri, prefeito de Aracruz, as doações foram importantes para suprir a escassez de recursos no momento crítico da pandemia.