Após controlar pandemia, cidade de Nova York começa reabertura

Fonte: Valor Econômico (08 de junho de 2020)

— Foto: Nina Westervelt/Bloomberg


Depois de mais dois meses de confinamento e exatos 100 dias do primeiro caso confirmado de covid-19, a cidade de Nova York, a mais atingida pela pandemia nos Estados Unidos, começa a reabrir sua economia nesta segunda-feira.
 
O desafio vem acompanhado do medo de uma possível segunda onda de casos, o que coloca Nova York no centro das atenções. Monitorado de perto por autoridades de saúde e economistas, o processo será um teste não só para os nova-iorquinos, mas também para outras cidades americanas que tentam se recuperar da crise causada pela pandemia.
 
O plano de retomada das atividades foi dividido em fases. Primeiro, Nova York permitirá que construção, agricultura, manufatura e comércio atacadista retomem suas operações. O varejo poderá oferecer aos clientes que retirem as compras feitas virtualmente ou por outros canais não presenciais nas respectivas lojas.
 
Se os critérios estabelecidos forem cumpridos, a cidade avança para a segunda fase de reabertura em duas semanas. Nesta etapa, restaurantes poderão receber clientes em áreas ao ar livre. Salões de beleza e o varejo reabrirão com 50% da capacidade.
 
Servidores municipais e estaduais vão monitorar os indicadores, como capacidade hospitalar e taxas de infecções diárias. Caso os números cresçam, eles podem determinar um novo fechamento das empresas para diminuir a propagação do vírus.
 
Nova York estima que 16 mil empresas varejistas não essenciais e 3,7 mil indústrias reabram hoje. Além disso, 32 mil obras devem ser retomadas a partir desta segunda-feira, segundo o prefeito da cidade, Bill de Blasio. A estimativa é que cerca de 400 mil pessoas voltem a trabalhar.
 
Para serem autorizadas a operar, as empresas de Nova York precisam garantir às autoridades que podem respeitar as regras de reabertura. Até quinta-feira, 25 mil delas já havia enviado os documentos necessários para o governo do Estado.
 
Os empresários estão ansiosos pela reabertura, mas também se preocupam com a segurança de funcionários e clientes. Lojistas, por exemplo, estão pensando sobre como higienizar os produtos após eles serem tocados pelos consumidores.
 
Muitas lojas de roupas cogitam trocar peças experimentadas e deixá-las fora das vitrines por mais de 24 horas, o que exigirá um estoque maior, segundo Matt Bauer, presidente da Madison Avenue Business Improvement District. “Será a primeira experiência que as pessoas terão nesse novo ambiente. Se não for bom, elas podem não voltar”, afirmou Bauer.
 
Desde o início da pandemia, mais de 205 mil moradores de Nova York foram infectados pela covid-19. Quase 22 mil deles morreram.