Ação nos EUA pode afetar exportação de compensado
Fonte: Valor Econômico (21 de outubro de 2019)

Marcelo Schmid, diretor da Forest2Market: “É estratégia comercial. O Brasil exporta há 20 anos para os Estados Unidos e nunca houve problema” — Foto: Divulgação
Uma nova preocupação surgiu no caminho dos produtores brasileiros de compensados de pinus, no momento em que as exportações poderiam se recuperar e mudar a tendência que pode fazer de 2019 o primeiro ano com recuo nos embarques desde 2011. Um grupo de dez produtores americanos iniciou uma ação na Justiça da Flórida contra duas certificadoras locais, alegando que o compensado brasileiro certificado por essas agências não atende aos padrões de qualidade e segurança do país.
Por enquanto, a ação proposta no Tribunal Distrital do Sul da Flórida não produziu resultados concretos, mas pode afetar as negociações e gerou insegurança entre os cerca de 40 produtores de compensado de pinus do Paraná e de Santa Catarina que fornecem ao mercado americano. “É estratégia comercial. O Brasil exporta há 20 anos para os Estados Unidos e nunca houve problema”, diz o sócio diretor do grupo Index e da Forest2Market do Brasil, Marcelo Schmid.

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) monitora o assunto, uma vez que a ação é dirigida aos órgãos certificadores e não às empresas do país, mas lembra que o Brasil é fornecedor regular dos Estados Unidos nesse segmento há muitos anos. “Historicamente, o Brasil é um importante parceiro no fornecimento de justamente pela qualidade técnica dos produtos, adequação às normas internacionais e respeito às exigências impostas pelo mercado estrangeiro”, afirma o superintendente executivo da Abimci, Paulo Pupo.
A ação iniciada no mês passado alega que o compensado brasileiro não poderia exibir o certificado da PFS-TECO ou da Timber Products Inspection Inc. (TPU) porque apresenta “falhas massivas” quando testados sob um determinado padrão, o PS 1-09, o que colocaria em risco construções e moradores de imóveis que utilizam o produto especialmente em caso de tempestades e furacões. Nos Estados Unidos, os compensados são usados principalmente para a construção de casas e imóveis comerciais.
Mais de 80% da produção brasileira de compensado de pinus foi exportada no ano passado e, conforme a Abimci, esse percentual está se repetindo em 2019. Mas o ano tem sido marcado por altas e baixas, principalmente por causa da desaceleração da demanda na construção civil americana por conta das condições climáticas adversas. Até agosto, foram cerca de 700 mil toneladas, contra mais de 1,1 milhão de toneladas em todo o ano passado. A média mensal de 82 mil toneladas mostra que será necessário que o Brasil exporte 105 mil toneladas por mês até o fim do ano para ao menos igualar o volume de 2018, ressalta Schmid, da Forest2Market.
Para o especialista, é difícil que esse volume seja atingido. Entre março e abril, houve queda de 31% no volume exportado pelo país. Em agosto, o mercado da construção civil nos Estados Unidos registrou o melhor desempenho desde 2007, o que “parece o início de uma temporada de construção tardia, que traz esperança de um fim de ano positivo ao mercado de construção americano”, pondera.
Para a Abimci, a tendência apresentada pelos dados de comércio exterior é de manutenção dos volumes exportados em 2018, quando o resultado foi considerado “excelente”. “Seria prematuro afirmar que teremos queda para este ano, já que os números se mantêm praticamente iguais aos do ano passado”, diz Pupo. Contudo, o superintendente ressalta que é preciso levar em conta “certo descompasso entre a oferta e a demanda” em determinados países consumidores, além da imprevisibilidade da guerra comercial e a definição das tarifas que estão sendo propostas a produtos madeireiros, em especial entre Estados Unidos e China.