Guedes diz que economia crescerá mais do que o previsto pelo mercado
Fonte: Valor Investe (10 de agosto de 2022)
O pesadelo da pandemia ficou para trás e o Brasil está novamente em pé, disse ontem o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia de abertura da 34ª Congresso Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). “A inflação está descendo, o emprego está aumentando”, listou.
O ministro disse acreditar que a economia brasileira crescerá mais do que os 2,2% previstos pelo mercado. Afirmou também que a taxa de desemprego vai baixar a 8%.
O otimismo do ministro se deve à carteira de investimentos já contratados pelo setor privado, que chega a R$ 890 bilhões nos próximos dez anos. “Tem uma avalanche de investimentos vindo para o Brasil”, afirmou. “É claro que, se fizer muita besteira, destrói; mas o Brasil não depende mais de governo para fazer investimento.”
Ele acredita que a onda de investimentos vai se intensificar em decorrência da pandemia e da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os eventos vão provocar uma reconfiguração das cadeias produtivas, com Estados Unidos e Europa buscando fornecedores mais próximos (nearshoring) e em países estáveis do ponto de vista geopolítico (friendshoring).
O Brasil, afirmou, está bem posicionado e tem potencial para receber esses investimentos porque oferece segurança alimentar e energética. É o país com a matriz de energia mais limpa do mundo, ressaltou.
“Basta a gente não fazer bagunça”, comentou. “Acho que podemos estar no caminho da prosperidade.”
Contando seu diálogo com europeus, o ministro contou que os alertou para a perda da participação do velho continente no comércio com o Brasil, diante do avanço da China. “É melhor nos tratarem bem, ou vamos ligar o f… para vocês”, disse.
Ao ouvir o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, pedindo socorro para as empresas do setor, Guedes lamentou que o projeto de lei da transação tributária, que permitia perdão de parte da dívida tributária das micro e pequenas empresas, tenha sido aprovado sem uma fonte de compensação para essa ajuda. A falha obrigou o presidente Jair Bolsonaro a vetar a proposta.
Ele sinalizou, porém, que a ideia pode ser retomada. Disse que parte do excesso de arrecadação que tem sido registrado pode ser revertido para ajudar as empresas.
Segundo o ministro, Bolsonaro tem grande apreço pelo setor. Ele contou que o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego (BEm) surgiu de um pedido do presidente para dar atenção aos restaurantes, que iriam fechar as portas na pandemia e não tinham alternativa a não ser demitir. Surgiu daí a ideia de o governo pagar parte do salário, contou.