Restrições às importações na Argentina preocupam setor calçadista brasileiro
Fonte: Valor Econômico (06 de julho de 2022)

De janeiro a maio, os argentinos importaram, no período, 6,82 milhões de pares, que geraram US$ 74,62 milhões, aumentos de 64% e 93,7%, respectivamente — Foto: Pixabay
As novas regras para pagamento de importações estabelecidas pelo governo argentino estão preocupando o setor calçadista. O país vizinho é o segundo maior importador da indústria brasileira de calçados, atrás apenas dos Estados Unidos.
Para Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados — associação que representa a indústria calçadista nacional—, a medida de impor pagamento para apenas seis meses após a chegada da mercadoria poderá inviabilizar as operações de exportação de algumas empresas para o mercado.
Na semana passada, o Banco Central da República Argentina (BCRA) alterou as condições de acesso ao Mercado único de Câmbio para pagamento de importações. Até 30 de setembro de 2022 os pagamentos das mercadorias só serão liberados após 180 dias. A medida tende a limitar, temporariamente, as importações, de modo a conter a saída de divisas e manter o nível de reservas internacionais.
A notícia pegou de surpresa o setor calçadista brasileiro em um momento de recuperação, diz a Abicalçados. Entre janeiro e maio as exportações de calçados somaram 64,24 milhões de pares, que geraram US$ 538,72 milhões, crescimentos de 30,3% em volume e de 66,5% em receita na relação com mesmo período do ano passado.
Os argentinos importaram, no período, 6,82 milhões de pares, que geraram US$ 74,62 milhões, aumentos de 64% e 93,7%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2021.