Clima traz urgência a mudanças na matriz de energia, diz Klabin
Fonte: Valor Econômico (28 de outubro de 2021)

Teixeira, que estará na COP26: “O endereçamento da emergência de mudar a matriz energética do mundo é primordial” — Foto: Silvia Zamboni
Única empresa brasileira a compor o grupo de Business Leaders da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26, a Klabin vai participar ativamente dos debates neste fórum e gostaria de ver, ao fim do encontro, propostas concretas de mudança na matriz energética global. Para o diretor-geral da companhia, Cristiano Teixeira, o sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês) deixa claro que a matriz energética do mundo, a começar por carvão e óleo, “é um drama não tratado”.
“O endereçamento da emergência de mudar a matriz energética do mundo é primordial”, afirmou o executivo, durante teleconferência para comentar os resultados da companhia no terceiro trimestre. “Vamos para a COP26 motivados, sabendo da importância histórica do tema clima, principalmente após o sexto ciclo de estudos do IPCC, que mostra a emergência climática”.
Em Glasgow, executivo participará dos debates no “Business Leaders” e a companhia é a única brasileira no grupo
Em Glasgow, Teixeira integrará o grupo que, desde o ano passado, se reúne para discutir as pautas mais urgentes relacionadas às mudanças climáticas e engajar o setor privado nas metas de redução de carbono. Na semana passada, o executivo já havia sido eleito “biopersonalidade” do ano no Fórum Mundial de Bioeconomia, que pela primeira vez deixou a Finlândia e foi realizado em Belém, no Pará.
Em relação aos negócios da Klabin, após exaltar os resultados históricos registrados no terceiro trimestre, o diretor-geral lembrou que o quarto trimestre é sazonalmente forte e a companhia deve entregar novo crescimento do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). “A Klabin manterá o ritmo de crescimento com resultados tão consistentes quanto os realizados nos trimestres anteriores”, observou.
A companhia, que está no meio da execução do maior investimento de sua história, prevê desembolsar cerca de R$ 3 bilhões com o Projeto Puma II, em Ortigueira (PR), no próximo ano. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores Marcos Ivo, já foram investidos R$ 7,1 bilhões neste ciclo de crescimento, de um total de R$ 12,9 bilhões. No quarto trimestre, os desembolsos com o projeto devem chegar a R$ 1 bilhão.
A primeira máquina de papel de Puma II, a MP 27, entrou em operação no fim de agosto e é dedicada à produção do Eukaliner, o primeiro kraftliner do mundo feito 100% com fibra de eucalipto. Segundo Ivo, a rampa de produção está seguindo o planejamento esperado e, até o fim do ano, 90 mil toneladas do papel deverão ser produzidas.
A segunda fase do projeto, que prevê a instalação de uma máquina de papel cartão, já está em execução e tem início de operação estimado para o segundo trimestre de 2023.
Segundo o diretor de papéis da Klabin, Flavio Deganutti, o mercado global de kraftliner permanece “muito equilibrado” e a máquina 27 deve alcançar 85% da capacidade de produção alvo em 2022. Esses volumes, explicou, serão direcionados ao atendimento do crescimento orgânico do mercado doméstico e para a produção de embalagens da companhia, com excedentes exportados – pouco mais da metade da produção deve ter como destino o mercado externo.
“Os preços seguem bastante positivos. O momento é de preços historicamente altos para kraftliner e reciclados”, afirmou o diretor, acrescentando que o Eukaliner é vendido com prêmio em relação ao kraft tradicional.
O mercado doméstico de cartões, por sua vez, segue “bastante equilibrado”, depois de crescer mais de 20% nos nove primeiros meses do ano sobre a base forte de 2020. “Fora do Brasil, vemos a mesma coisa, o que permite a evolução de preços em todos os mercados”, acrescentou.
Para a parcela menor de cartões que é negociada no mercado spot, a expectativa é de aumento de preços. Já para os contratos, que englobam o maior volume transacionado de cartões, as negociações em torno de reajustes vão ocorrer na virada do ano.
Segundo o diretor da unidade de celulose da Klabin, Alexandre Nicolini, a demanda da fibra no Brasil, América do Norte e Europa permanece aquecida. “A China hoje é o único mercado que destoa. O desvio de volumes da China para outras geografias tem como base o consumo maior nesses mercados [e não os preços mais elevados]”, disse. A partir de novembro, disse o executivo, a expectativa é de maior estabilidade dos preços na China, já que os preços de importação caíram pela primeira vez abaixo das cotações de revenda.