Grupo CDC e DP World investem 1,7 mil milhões de dólares em portos no Egito, Senegal e Somalilândia
Fonte: Expansão (13 de outubro de 2021)
O Dubai Grupo CDC trata-se de uma joint venture que junta a DP World do Dubai e o Grupo CDC do Reino Unido e que está disponível para um investimento de 1,7 mil milhões de dólares em portos africanos nos próximos anos.
Entretanto, convém lembrar que o DP World (Luanda) é a entidade atualmente responsável pelo Terminal Multiusos do Porto de Luanda, onde vai investir 190 milhões de dólares, de que tem um contrato de concessão a 20 anos e que se prepara para apresentar ainda esta semana a nova logomarca, no Yacht Club de Luanda, será no dia 15 de Outubro, às 16:30.
O Grupo CDC – Investment Works, tido como braço de investimento do governo britânico para África, vai fazer o maior investimento dos últimos 73 anos, de 320 milhões de dólares, em parceria com o DP World para adquirir participações em três portos africanos, ao mesmo tempo que irá canalizar 400 milhões de dólares para portos e outras operações logísticas em que a DP World já está envolvida em África.
Egito, Senegal e Somalilândia – um território não reconhecido como Estado independente pela comunidade internacional junto da Somália – são os locais e os portos escolhidos para o investimento.
Por sua vez, a DP World continua a expandir-se em África e prepara um investimento de cerca de milhões de dólares para esta fase inicial.
A parceria entre estes dois grupos levou quatro anos para se concretizar, mas agora que foi anunciada, coube a Tenbite Ermias, chefe para África do CDC, dizer que “é um compromisso visível para aumentar a capacidade africana de comercializar em ambas as direções, para reduzir custos e simplificar as exportações”.
Contas feitas, este investimento pode levar à criação de 140 mil empregos diretos em três portos – Dacar, no Senegal, Sokhna na costa do Mar Vermelho e Berbera na Somalilândia – o que pode adicionar cerca de 50 mil milhões ao comércio global até 2035.
A expansão do porto de Berbera, antiga capital do protetorado da Somalilândia Britânica, pode aumentar o produto interno bruto da Somalilândia em cerca de 6%, além de fornecer uma alternativa ao porto de Djibouti para a Etiópia, que não tem litoral.
O investimento em Dacar, não só ajudará o Senegal, mas também proporcionará uma rota de exportação para os países do Sahel sem litoral, como o Mali.
O responsável para África do Grupo CDC admite que há um risco calculado ao fazer-se investimentos em locais de visível instabilidade, mas que esse também é o desafio do grupo.
Paul Collier, professor de Economia e Políticas Públicas da Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford, ouvido pelo Financial Times, disse que as instituições financeiras internacionais de desenvolvimento como o Grupo CDC deveriam trabalhar mais estreitamente para investir em estados frágeis onde faltam investimentos privados. Porque, explicou, o futuro da ajuda a estes países passa por “fortalecer o setor privado”.
O Sultão Ahmed bin Sulayem, CEO da DP World, parece concordar com esta visão quando afirma que a parceria com o Grupo CDC:
…permitirá aumentar os nossos investimentos em infraestrutura portuárias e logísticas em toda a África, e criará oportunidades de transformação para milhões de pessoas.
Porque, e também como defende Nick O”Donohoe, CEO do Grupo CDC, o continente africano está a ser penalizado por falta de infraestruturas logísticas, e que “economias estáveis e prósperas são construídas com base no acesso confiável ao comércio global e intercontinental”.
