Rodovias federais operam livres e caminhoneiros divergem sobre protestos

Fonte: Valor Econômico (26 de julho de 2021)

As rodovias federais operavam sem obstrução ao fluxo de veículos na manhã desta segunda-feira, informou o Ministério da Infraestrutura. A operação dos terminais do porto de Santos (SP) também segue em ritmo normal.
 
Caminhoneiros iniciaram manifestações neste domingo em protesto contra os elevados preços do diesel e pelo cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário.
 
Segundo a pasta, aglomerações se formaram à margem de algumas rodovias nas primeiras horas do dia. Houve tentativa de retenção de rodovias em seis Estados, durante a madrugada e início desta manhã.
 
“Todas foram debeladas com a chegada de efetivos da PRF [Polícia Rodoviária Federal] ou de autoridades locais”, informa em nota o Ministério da Infraestrutura. “O volume de ocorrências é três vezes menor do que o registrado no mesmo período do dia 01/02/21, data da última tentativa de mobilização.”
 
No porto de Santos, foi registrada uma manifestação pacífica, de cerca de 20 pessoas, segundo a pasta. “O trânsito permanece liberado com acompanhamento de autoridades locais e a operação dos terminais segue normalmente”, informa o Ministério da Infraestrutura.
 
Embora não haja obstrução em rodovias federais, os protestos ocorrem com a paralisação dos motoristas, informou o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Alberto Litti Dahmer.
 
“Na minha região, 80% dos autônomos estão parados”, informou. Os caminhões que circulam são majoritariamente vinculados a transportadoras. Ele acrescentou que será feita uma avaliação sobre a adesão ao movimento em todo o país para decidir o próximo passo.
 
São três as reivindicações centrais dos caminhoneiros: revisão da política de preços da Petrobras para o diesel, fiscalização do piso mínimo do frete e a volta da aposentadoria aos 25 anos de trabalho.
 
Embora o descontentamento seja geral, a estratégia da paralisação divide a categoria. “O preço do diesel não é problema só nosso”, disse o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão. “Não tem preço diferente de combustível e produtos para a esquerda e para a direita.”
 
O líder caminhoneiro disse que procurará outros segmentos da sociedade, igualmente afetados pela alta dos preços, para buscar um entendimento com o governo. “Isso que eu estou fazendo, era para o presidente fazer”, comentou.
 
Os preços elevados do diesel e a falta de soluções para o problema de renda dos caminhoneiros autônomos têm afetado o apoio que o presidente Jair Bolsonaro tinha da categoria, avalia Chorão.
 
O preço do diesel foi o principal gatilho da paralisação de 2018, que levou o país à beira de um colapso no abastecimento. A grande diferença do momento atual em relação àquela paralisação é a adesão das transportadoras, que não ocorre agora.
 
Naquele momento, diante de uma avaliação interna que seu governo poderia cair, o então presidente, Michel Temer, concordou em atender uma antiga reivindicação dos autônomos: o estabelecimento de preços mínimos para o frete rodoviário. Essa medida havia sido recusada por governos anteriores com o argumento que seria inconstitucional.
 
Três anos depois, os preços do diesel seguem um problema. Caminhoneiros se queixam do descumprimento do piso mínimo do frete e da falta de fiscalização pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A tabela de piso mínimo, além disso, tem sua constitucionalidade em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), um caso que se arrasta desde 2018.