País moderniza comércio exterior de serviços
Fonte: Valor Econômico (17 de junho de 2021)

A pauta do comércio externo de serviços vem passando por um processo de sofisticação ao longo do tempo e, no ano passado, tanto a exportação quanto a importação de serviços modernos representaram cerca de 70% do comércio de serviços do país. A avaliação consta no primeiro Relatório Anual do Comércio Exterior Brasileiro de Serviços, divulgado ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.
“A exportação de serviços modernos passou a ser preponderante a partir de 2006 e ganhou importância de maneira consistente até 2020. Já a importação de serviços modernos passou a ser preponderante a partir de 2014”, observa o documento, que passará a ser divulgado anualmente e tem como base dados do Banco Central (BC). Para a classificação, são considerados serviços modernos, por exemplo, seguros, serviços financeiros e de telecomunicação, computação e informações. Já entre os serviços tradicionais estão grupos como transportes, viagens e construção.
A secretaria explica que a crescente participação de serviços modernos ocorre em todo o comércio mundial. O crescimento é, em grande parte, explicado pelo avanço tecnológico. “O surgimento de serviços modernos é uma é uma importante tendência de realocação das exportações globais e impactam particularmente as formas de crescimento e desenvolvimento dos países”, diz o texto.
Atualmente, o país já produz informações do comércio externo de serviços que seguem recomendações internacionais por meio do balanço de pagamentos do BC. Para a Secex, no entanto, “esforços adicionais são necessários para detalhar e integrar as informações disponíveis”. Com a publicação, apresentamos um olhar analítico do comércio exterior brasileiro de serviços, a partir de dados confiáveis e comparáveis internacionalmente”, afirma o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, em nota.
Ele destaca ainda que o setor de serviços é importante não só para a geração de renda, como tem se mostrado cada vez mais relevante para a competitividade de outros setores, como a indústria. No caso do Brasil, frisa o documento, o setor contribuiu com 60% do total produzido em 2020.
No ano passado, as exportações brasileiras de serviços apresentaram redução de 17% contra 2019, para US$ 28,5 bilhões. Já as importações de serviços caíram 30,2%, para US$ 48,4 bilhões. O saldo ficou negativo em US$ 19,9 bilhões. No ano, foram registrados os menores valores para comércio exterior de serviços desde 2009. “O ano de 2020 foi marcado pelos efeitos negativos da pandemia sobre a economia o comércio internacional, causando impactos tanto na oferta quanto na demanda mundial”, destaca o relatório.
De acordo com a Secex, assim como é verificado mundialmente, o comércio externo brasileiro de serviços apresenta maior dinamismo ao longo do tempo em relação ao de bens. As taxas de crescimento foram superiores às do comércio de bens entre 2005 a 2016. Em 2005, a participação de serviços no total do comércio exterior era de 16,6%, passando para 23,3% em 2016. Entre 2017 e 2019 já houve uma perda de participação e, no ano passado, a queda foi mais acentuada nos serviços, levando a participação no comércio total para 17,3%, menor nível desde 2008.
A Secex defende que a inovação tecnológica e a ampliação dos fluxos internacionais de serviços podem gerar ganhos adicionais de produtividade e competitividade.