Pandemia leva escritórios a investir em marketing
Fonte: Valor Econômico (16 de junho de 2021)
Durante a pandemia, a maior parte dos investimentos de bancas de advocacia foi direcionado para marketing (53%) e tecnologia (47%), especialmente para viabilizar o trabalho remoto. Para prospectar negócios e manter a proximidade com os clientes, apesar da decretação do isolamento social, a saída foi apostar em comunicação digital.
Os dados são de levantamento feito, entre abril e maio, pela Lets Marketing, consultoria de marketing jurídico, entre 62 escritórios. Ações em redes sociais foram a carta na manga para substituir os eventos presenciais.
Reuniões, workshops, palestras e outros eventos internos eram feitos por 77% das bancas, segundo pesquisa feita pela Lets no início da pandemia. Com o isolamento, as redes sociais passaram a ser o instrumento de 71% dos escritórios para se fazer conhecer e posicionar no mercado. No levantamento anterior, esse percentual era de 53%. Podcasts, por outro lado, só são considerados como recurso de marketing por 16% das bancas.
A banca full-service CMartins, por exemplo, elevou o investimento em marketing de menos de 1% da receita em 2019 para 5% em 2020. “Sem evento presencial, decidimos colocar o pé no acelerador para divulgar o que estamos fazendo”, afirma o sócio Rodrigo Martins. Entre novembro do ano passado e maio desse ano, o tráfego no site do escritório aumentou 70% por meio de posts com conteúdo informativo no LinkedIn.
O movimento de ampliação do uso das mídias sociais vem no contexto de revisão das regras de publicidade pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O Conselho Federal deve votar, nesta quinta-feira (17), a proposta que permite aos advogados ter perfis nas redes e pagar por impulsionamento de postagens para atingir um público maior. A mercantilização da profissão continua proibida, mas há permissão para compartilhar conteúdos informativos.
“Os escritórios estão conhecendo um caminho novo para se fazerem conhecer. E há uma estrada longa a percorrer dentro do que é permitido”, afirma Rafael Gagliardi, sócio e CEO da Lets Marketing que realizou a pesquisa em parceria com a agência Unitri.
O levantamento também aponta que 19% dos escritórios pesquisados desinvestiu em estrutura física. E 13% direcionaram investimentos em reformas ou ampliação dos locais de trabalho.
Quando os quatro sócios do BVZ Advogados escolheram um imóvel situado na Avenida Paulista para ampliar o escritório não imaginavam que dali a semanas um vírus os confinaria em casa e colocaria em xeque o novo contrato de aluguel e o da reforma da nova sede. “Foi quase uma grande tragédia”, lembra o sócio Frederico Bastos.
Mas o que aconteceu é que a banca não só colocou de pé o novo escritório como viu o faturamento triplicar em 2020 na comparação com o ano anterior. “O tamanho da equipe dobrou assim como o novo local de trabalho”, afirma Ivo Bari, que compõe o quarteto de sócios da banca especializada em demandas tributárias, societárias e de insolvência.
O advogado Humberto Sanches, especializado em planejamento patrimonial, foi além. Durante a segunda onda da covid-19, ele decidiu abrir a própria banca após 24 anos no escritório Ulhôa Canto. A inauguração da sede aconteceu neste mês. “Parece que você está louco em empreender durante uma crise. Mas conseguimos colocar o escritório de pé em um mês, inicialmente no modelo virtual e, agora, com o espaço físico”, afirma.
A crise sanitária e econômica gerada com a pandemia parece não ter abalado a maioria dos escritórios. Segundo o levantamento, 52% de 62 escritórios pesquisados expandiram na pandemia. Apenas 1% afirmou que reduziu as operações desde março de 2020. Os demais ficaram estáveis.
Especializado em reestruturação e recuperação de empresas, o Lollato, Lopes, Rangel e Ribeiro Advogados viu o faturamento crescer 50% em 2020. “Vimos mais oportunidades de ativos estressados por causa do maior fluxo de capital decorrente da redução da taxa de juros”, conta Tiago Lopes, sócio da banca com atuação do sul e no sudeste. “Esperamos manter o crescimento, mas não no mesmo ritmo do ano passado, que foi específico”, diz.
