Cosan diz já ter passado pelo pior e que está pronta para entregar metas de 2021
Fonte: Valor Econômico (18 de maio de 2021)

Luis Henrique Guimaraes, da Cosan: Momento ainda é de volatilidade — Foto: Silvia Costanti / Valor
Na avaliação do presidente da Cosan, Luis Henrique Guimarães, o pior momento da crise desencadeada pela covid-19 ficou para trás e a expectativa é de crescimento em todas as linhas de negócio do grupo em 2021, conforme indicado na projeção de resultados anunciada pela companhia.
“A vacinação claramente funciona. Os números estão caindo onde há vacinação em massa e estamos vendo aumento na demanda”, disse o executivo, em teleconferência com analistas nesta segunda-feira. “As pessoas querem sair de casa. Acho que todos os negócios se beneficiarão e estamos nos preparando para isso,” afirmou Guimarães.
O executivo reconhece, contudo, que alguns desafios e dificuldades permanecerão por mais algum tempo, como a desorganização da cadeia de suprimentos. “Mas fizemos a lição de casa e estamos confiantes de que estaremos lá para nossos parceiros e teremos um bom restante de ano. Acho que já passamos pelo pior e estamos prontos para entregar nossas metas de resultados”, disse.
Questionado por um analista sobre o conservadorismo do grupo no estabelecimento das metas de resultado para 2021, o executivo explicou que o momento ainda é de volatilidade e explica essa postura.
Depois reportar melhora da rentabilidade no negócio de marketing e serviços, que compreende a operação de distribuição de combustíveis da Raízen (exceto etanol), lojas de proximidade e refino e distribuição na Argentina, a Cosan se diz otimista com a evolução das oportunidades de negócio no restante do ano.
De janeiro a março, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da unidade de negócios chegou a R$ 1 bilhão, com alta de 48,3% na comparação anual e de 12,2% frente ao quarto trimestre. No Brasil, o Ebitda totalizou R$ 696,4 milhões, alta anual de 22,5%, enquanto na Argentina o resultado mais que dobrou, para R$ 339,9 milhões.
“Estamos otimistas com as oportunidades de negócio para o restante do ano, em linha com as projeções anunciadas”, disse o gerente executivo de Relações com Investidores da companhia, Phillipe Casale.
No início do ano, observou, novas restrições à circulação no país tiveram impacto na demanda do ciclo Otto (etanol e gasolina), com queda de 3,2%, mas o consumo de diesel permaneceu forte com evolução anual de 14%. Segundo Casale, essa expansão foi resultado da estratégia comercial da Raízen e da maior demanda no setor agrícola.
Em combustível para aviação, acrescentou, houve recuperação sequencial, mas os volumes ainda estão muito abaixo da média histórica. “Readequamos nossas operações para que o novo patamar de demanda em aviação seja atendido e estamos prontos para captar novos volumes com a retomada do setor”, disse.
Especificamente no Brasil, a estratégia de suprimento e comercialização de combustíveis no trimestre levou à melhora da rentabilidade, apesar dos volumes menores de venda. No intervalo, a margem Ebitda por metro cúbico no país chegou a R$ 112, comparável a R$ 91 um ano antes e também no quarto trimestre.
Conforme Casale, o avanço nas margens deve-se também ao foco em eficiência operacional.
No negócio de lojas de proximidade, o grupo Nós, joint venture entre Raízen e Femsa, houve aceleração da abertura de lojas sob as bandeiras Oxxo e Shell Select, com adição líquida de 65 pontos de venda no trimestre.
Na Argentina, houve melhora sequencial de demanda de combustíveis e rentabilidade, com expansão do consumo tanto no varejo quanto no segmento empresarial.
Alavancagem financeira
A alavancagem financeira da Cosan voltará nos próximos trimestres ao nível de 2,5 vezes, que é considerado confortável, na esteira da melhora do Ebitda em 12 meses, segundo Casale.
Em março, a dívida líquida da Cosan correspondia a 3,1 vezes o Ebitda em 12 meses, contra 3,2 vezes em dezembro, ainda refletindo o resultado operacional mais fraco do segundo trimestre do ano passado, quando as restrições à circulação por causa da pandemia de covid-19 afetaram fortemente a distribuição de combustíveis.
Conforme Casale, o endividamento bruto da Cosan foi reduzido em 9% no trimestre, para R$ 41,26 bilhões, após um esforço conjunto das empresas de grupo de gestão de passivos, que incluiu pré-pagamento de algumas dívidas. Por essa razão e diante do aumento dos investimentos, o fluxo de caixa livre dos acionistas ficou negativo em R$ 3,77 bilhões.
“A alavancagem cai no período com o maior Ebitda e voltará a 2,5 vezes nos próximos trimestres porque o Ebitda ainda foi afetado pela pandemia”, explicou.
Casale disse ainda que, apesar dos desafios presentes, o Ebitda consolidado em bases recorrentes de R$ 2,6 bilhões “reflete a robustez e complementaridade do portfólio” do grupo e a “elevada capacidade de execução”. A Cosan concluiu em março o processo de reestruturação societária.