ADM mantém avanço no Brasil, com foco em nutrição
Fonte: Valor Econômico (12 de maio de 2021)

Domingo Lastra, da ADM: mais perto de agricultores e consumidores finais — Foto: Silvia Zamboni/Valor
O crescimento da produção de grãos no Brasil nesta safra 2020/21 e os elevados preços de commodities como soja e milho nos mercados internacional e doméstico tendem a continuar gerando bons resultados para a americana ADM neste ano no país, onde os negócios do segmento de nutrição também continuam em expansão. Mas riscos climáticos e financeiros, incluindo cambiais, estão no radar da companhia, que na América do Sul também tem avançado na Argentina e no Paraguai.
Segundo Domingo Lastra, presidente da ADM na América Latina, embora a colheita tenha atrasado no Brasil, o que atrapalhou as atividades de originação, sobretudo de soja, e o clima possa reduzir a safrinha de milho, as perspectivas para o país no ano são positivas. “ O ano passado foi perfeito, com a originação batendo novos recordes, e esperamos continuar crescendo em linha com o avanço da agricultura brasileira”, afirmou o executivo.
No primeiro trimestre, contudo, a originação na América do Sul foi o ponto fraco dos resultados da ADM, que, graças em boa medida à América do Norte, viu seu lucro líquido crescer 77,2% ante igual intervalo de 2020, para US$ 689 milhões. A receita líquida global aumentou 26,3% na comparação, para US$ 18,9 bilhões.
Com os bons resultados da cadeia de soja no Brasil em abril, contudo, a tendência é que as operações latino-americanas, que representam entre 10% e 15% dos negócios totais da companhia, ganhem peso no balanço deste segundo trimestre.
Para seguir em expansão na área de grãos na América do Sul, disse Lastra, a ADM está particularmente focada em questões ligadas à sustentabilidade da produção e à inovação. Ele lembrou que a empresa estabeleceu como meta conseguir rastrear 100% da soja que compra no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai até 2022 e que tem lançado mão de ferramentas digitais para melhorar a relação com os agricultores. “Queremos que a experiência do produtor com a companhia seja cada vez melhor”, afirmou ao Valor.
Ainda nessa frente, Lastra disse que a ADM está atenta a oportunidades para avançar no Brasil e em países vizinhos, inclusive com eventuais aquisições – como a da Algar Agro, em 2018. Segundo o executivo, a tacada foi fundamental para a múlti se aproximar do Matopiba (confluência entre os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Ainda no segmento de grãos, investimentos realizados para ampliar o escoamento de grãos pelo portos do chamado “Arco Norte” foram bem-vindos, mas os aportes em portos do Sudeste e do Sul, que recebem navios maiores, terão continuidade.
Mas é a área de nutrição humana e animal e a decorrente aproximação com os consumidores finais que mais empolgam Lastra no momento. Segundo ele, investimentos nos últimos anos em fábrica, aquisições e portfólio fortaleceram a ADM no Brasil no segmento, e o câmbio também tem beneficiado os negócios e garantido boas margens. Ainda nesse campo, afirmou, a fase inicial das operações da PlantPlus, joint venture com a brasileira Marfrig no mercado de proteínas vegetais nas Américas, indica que o potencial de crescimento nesse mercado é grande.
“A ADM está presente na área de proteínas essenciais desde a década de 1970. Fizemos quase 20 aquisições [no mundo] nos últimos anos, queremos ter todo o ‘range’ de proteínas e estamos fortalecendo nossas equipes no segmento. Também queremos melhorar a experiência do consumidor com a companhia ”, concluiu Lastra.