Logística ainda terá efeitos de bloqueio em Suez

Fonte: Valor Econômico (30 de março de 2021)

A liberação do Canal de Suez, na manhã de segunda-feira (29), foi recebida com grande alívio pelo mercado de navegação. Ainda assim, a expectativa é que os efeitos indiretos do bloqueio se estendam pelas próximas semanas, inclusive no Brasil.
 
O navio “Ever Given” estava encalhado desde a última terça-feira (23), o que levou à formação de uma fila de mais de 450 navios, à espera da liberação para atravessar o canal, segundo a agência “Bloomberg”. O fluxo já foi retomado, mas companhias de navegação estimam um prazo de quatro a seis dias para a normalização das viagens no local.
 
Para além da retomada das viagens, porém, haverá gargalos na chegada desses navios nos portos – tanto na Europa quanto na Ásia -, com prováveis congestionamentos e atrasos na liberação das cargas. Além disso, algumas embarcações já haviam decidido mudar de rota e contornar a África para chegar à Europa, o que deve atrasar algumas viagens.
 
Toda essa situação deverá impactar o Brasil indiretamente, tal como todo o comércio global. “Deve haver alguns atrasos e falta de contêineres no mercado global, um problema que já existia antes do bloqueio e que agora deverá se agravar”, afirma Leandro Barreto, sócio da consultoria Solve Shipping, que estima que os entraves devem durar por algumas no mercado global, um problema que já existia antes do bloqueio e que agora deverá se agravar”, afirma Leandro Barreto, sócio da consultoria Solve Shipping, que estima que os entraves devem durar por algumas semanas.
 
O presidente da consultoria Datamar, Andrew Lorimer, estimou um prazo de aproximadamente um mês até a regularização dos problemas gerados pelo bloqueio do canal pela gigantesca embarcação. Um dos possíveis efeitos para o mercado brasileiro é o aumento dos fretes, que já estavam em patamar alto, avalia Carlos Souza, sócio da Logcomex.
 
Apesar disso, o cenário foi visto como positivo, considerando que havia projeções de que o bloqueio poderia durar semanas. No domingo à noite, as autoridades já se preparavam para ter que descarregar o navio, uma operação que levaria alguns dias, caso fosse necessária. “Os impactos poderiam ter sido muito piores”, afirma Barreto.