Brasileiros alongam ainda mais o expediente remoto

Fonte: Valor Econômico (29 de março de 2021)

Pesquisa realizada pela Nielsen em parceria com a consultoria Toluna sobre mudanças de comportamento durante a pandemia revela que o trabalho é a atividade que mais consome a rotina do brasileiro nos meses de confinamento. Dezoito por cento dos entrevistados dedicam mais de 15 horas por semana a expedientes remotos, 23% gastam entre 10 e 15 horas por semana a expedientes remotos, 23% gastam entre 10 e 15 horas e 22% têm jornadas semanais de cinco a nove horas. Em segundo lugar nas atividades domésticas entra o lazer, com vídeos, filmes e programas de TV, com 14% das pessoas diante das telas, durante 15 horas semanais.
 
Ao mesmo tempo, trabalhar depois das 22h ganhou mais adesão. As atividades que entram pela madrugada aumentaram, em janeiro, para 8% dos entrevistados, um avanço de quatro pontos em relação ao levantamento anterior, em junho de 2020. A pesquisa, realizada em janeiro e divulgada em março, ouviu 1.135 pessoas, sendo 37% de nível socioeconômico considerado AB e 58% nas faixas C, D e E. Do total, a maioria ou 58% são mulheres e mora no Sudeste (51%), antes do Nordeste (20%), Sul (17%), Centro-Oeste (7%) e Norte (5%).
 
Entre junho de 2020 e janeiro de 2021, o tempo gasto com consumo de mídias, como redes sociais, filmes e música, caiu. Em relação às redes sociais, o número de respondentes que constatou aumento no período em que interagem nessas plataformas ficou em 56%, um recuo de 11 pontos percentuais na comparação com a primeira etapa do estudo.
 
Quando o assunto é ver filmes, vídeos ou programas de TV, o tempo gasto cresceu para 65% dos entrevistados, mas com dez pontos percentuais a menos do que o registrado em junho. Ao serem questionados sobre ouvir música, 46% estenderam as horas com esse tipo de lazer – um recuo de 12 pontos sobre a participação registrada no ano passado.
 
O consumo de aplicativos de mensagem subiu para a maioria (51%) dos entrevistados, sinalizando uma queda de oito pontos percentuais. “Ficou claro que há uma percepção de menor consumo de mídia on-line e mais tempo trabalhado”, explica a líder de ‘media measurement’ da Nielsen, Sabrina Balhes.
 
Impulsionado pelo home office e a busca por conforto para trabalhar de casa, o computador de mesa passou o notebook nas preferências dos usuários e perdeu apenas para o celular no ranking dos equipamentos mais utilizados. Segundo o estudo, quem fica mais de 15 horas por semana conectado à internet tem preferência pelo acesso via smartphones (36%), seguido do notebook (16%) e computadores de mesa (11%).
 
Na hora do lazer, Stephanie Castus, ‘client lead’ de mídia e digital da Nielsen, diz que as lives musicais também estão em queda no interesse do público, depois da rápida adoção que protagonizaram no início do confinamento. Assistir a shows de música ao vivo entre 18h e 22h caiu 16 pontos percentuais, segundo a pesquisa.
 
Outro aspecto que chamou a atenção de Castus no relatório foi o aumento do uso de aplicativos de mobilidade. Ou as pessoas estão saindo mais de casa ou evitam usar transporte público para fugir de aglomerações, analisa.
 
Entre os entrevistados, 15% responderam que utilizam apps como Waze e Google Maps antes das 9h, uma alta de nove pontos em relação à primeira etapa do estudo; 18% acessam os apps entre 9h e 15h, com oito pontos percentuais a mais; e 14% entre 15h e 18h, um salto de sete pontos sobre o período anterior.