ADM prevê soja 100% rastreada na América do Sul até 2022
Fonte: Valor Econômico (19 de março de 2021)
Até o fim de 2022, a Archer Daniels-Midland (ADM) pretende rastrear toda a soja que compra na América do Sul. A multinacional americana, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, perseguirá a meta em meio a sucessivos recordes de originação de grãos no Brasil.
Segundo Ray Young, diretor financeiro da companhia, o objetivo é rastrear toda a soja originada no continente, inclusive a que é comprada de terceiros. Com o rastreamento, diz o executivo, a ADM pode estimular os agricultores da América do Sul a adotar práticas sustentáveis. “Esse é o tipo de papel que nós desempenhamos ao encorajar boas práticas de produção”, afirmou Young em evento virtual organizado pelo jornal “Financial Times”.
Em 2020, a originação de soja e milho da ADM no Brasil bateu recorde pelo terceiro ano seguido, segundo a empresa, que não informou os volumes movimentados. A originação das duas commodities cresceu 7% no país, segundo comunicado distribuído em janeiro. A soja, com alta de 14%, dominou o avanço.
Os esforços da ADM em sustentabilidade incluíram sua adesão à Moratória da Soja, na qual empresas associadas à Associação Brasileira das Indústrias Óleos Vegetais (Abiove) e à Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) assumiram o compromisso de não comercializar a oleaginosa produzida em áreas desmatadas do Bioma Amazônico. Em 2021, a Moratória da Soja completa 15 anos.
A ADM tem reduzido paulatinamente o peso que as commodities agrícolas a granel têm para suas operações e, em paralelo, ampliado a fabricação de alimentos com margens mais altas. Segundo Young, a empresa espera que, até 2050, a unidade de nutrição, que inclui o segmento de proteínas à base de plantas, seja tão grande quanto o tradicional negócio de compra e embarque de produtos agrícolas – ou até maior que ele.
Hoje, a divisão de nutrição é a que cresce com mais rapidez na companhia, afirma o executivo. Em 2020, as receitas totais da ADM cresceram 7,44%, para US$ 64,36 bilhões. O lucro líquido, por sua vez, subiu 28,5%, a US$ 1,77 bilhão. “Com base em nossos planos atuais de crescimento orgânico, esperamos sólidos aumentos de receita e lucro com nutrição em 2021 ”, diz a empresa em seu balanço financeiro do ano passado, publicado em janeiro.
As pesquisas sobre fontes e modelos de produção mais sustentáveis são reflexo das projeções que a empresa faz para daqui a três décadas, afirma Young. “A população global vai crescer, e não podemos depender de proteínas animais no futuro, já que os animais ruminantes são responsáveis por 15% a 20% das emissões de poluentes no mundo”, disse.