"Empresas que não investirem no bem-estar não serão competitivas"
Fonte: Valor Econômico (10 de março de 2021)
Ao longo dos últimos três anos, o banco BV implementou 38 iniciativas que atingiram 2,5 mil dos 4 mil funcionários para falar de felicidade e trabalhar o bem-estar. Na pandemia, o mindfulness ganhou mais sessões, a liderança foi treinada para agir com respeito a individualidade de cada um, palestras sobre temas variados, como educação dos filhos em casa, foram realizadas e a parceria com o Hospital Sírio Libanês levou mais informação de saúde para evitar o contágio. Mas essas iniciativas lideradas pela área de Recursos Humanos não foram fortuitas. E a executiva que lidera a área, Ana Paula Tarcia, mostra os números: o engajamento da força de trabalhou subiu de 64% para 88%, o NPS (indicador que mede o quanto um funcionário recomenda a empresa para trabalhar) superou 90% e a produtividade aumentou em várias áreas. Com a pandemia, as ações ganharam motivações extras. “Eu acredito que não oferecer flexibilidade, formas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e ações de bem-estar farão as empresas não competitivas, em termos de atração dos melhores talentos de redução de turnover”, diz Ana Paula, diretora de pessoas e cultura, em entrevista a editora Stela Campos.
Durante live da série RH 4.0, que discute os desafios e tendências da área, a executiva disse que as ações tiveram resultado por serem variadas e não obrigatórias. No início da pandemia, também houve um treinamento dos líderes para que estimulassem um ambiente colaborativo, onde as pessoas são livres para falarem e agirem, mas no qual suas individualidades não são ignoradas. “Bem-estar é diferente para cada um. Tem gente que fica satisfeito com uma sessão de mindfulness, mas tem gente que vai ficar bem se sentir bem conectado com seu gestor. O segredo é construir esse ambiente positivo – porque é ele que aumenta o engajamento e, por consequência, se traduz em produtividade”.
Ana Paula diz que começou a trabalhar o tema de felicidade corporativa há três anos, durante um ciclo de palestras do banco. “Não se ensina felicidade e se eu chegasse e falasse: agora vamos trabalhar a felicidade não funcionaria. Mas nós fizemos um vídeo perguntando a funcionário o que era ser feliz para eles e cada um expressou o que queria. No fim, o tema foi despertando interesse”. Vieram cursos, ações de saúde física, podcast sobre ansiedade, apoio psicológico e até financeiro. Dois livros dão embasamento à executiva nessa estratégia: A Ciência da Felicidade e o Jeito Harvard de Ser Feliz. “São livros que falam sobre o impacto de estímulos negativos às pessoas na vida e trabalho e também de como construir bons relacionamentos gera ambientes mais positivos”. Como vantagem competitiva de se trabalhar esses temas, Ana diz que a marca empregadora ficou mais forte e hoje 60% de quem o banco atrai não vem do mercado financeiro.