Petróleo tem alta firme e fecha nos maiores níveis desde janeiro de 2020
Fonte: Valor Investe (15 de fevereiro de 2021)
Os contratos futuros do petróleo fecharam esta sexta-feira em alta consistente e acumularam ganhos na semana. Pesou à favor a expectativa que os legisladores americanos avancem em direção a outra grande rodada de suporte fiscal e também o avanço dos programas de vacinação global, que diminuiu as preocupações com o desempenho da economia.
Na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nyse), os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) para março fecharam o dia em alta de 2,11%, a US$ 59,47 o barril, enquanto os preços do Brent para entrega em abril subiram 2,10%, negociados a US$ 62,43 o barril, na ICE, em Londres.
No acumulado semanal, a referência americana (WTI) subiu 4,60%, enquanto a global (Brent) avançou 5,20%.
Na quinta os preços fecharam em queda, encerrando a mais longa sequência de ganhos em mais de dois anos, após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Administração de Informação de Energia (EIA) terem reduzido suas projeções para a demanda de petróleo em relatórios mensais divulgados nesta semana.
A Opep e a IEA “indicaram que ainda há preocupações sobre o ritmo de recuperação da demanda de petróleo e seu nível em relação aos volumes de oferta”, disse Bjornar Tonhaugen, chefe de mercados de petróleo da Rystad Energy, em comentários enviados por e-mail.
Analistas afirmam que pesou hoje o otimismo sobre as perspectivas de uma reabertura mais ampla da economia global continua sendo uma fonte de apoio subjacente. Do lado da oferta, ainda, a Opep e seus aliados, grupo conhecido como Opep +, mantiveram-se rigorosos nas restrições de produção, reforçadas pela decisão da Arábia Saudita de cortar unilateralmente a produção em 1 milhão de barris por dia em fevereiro e março.
A alta nos preços do petróleo, contudo, pode tornar as discussões mais espinhosas entre os produtores nos próximos meses, em meio a temores de que produtores externos, incluindo operadores de xisto dos EUA, aumentem a produção e, potencialmente, roubem participação de mercado dos países do cartel.
“O apelo dentro da Opep + para aumentar a produção de petróleo pode crescer rapidamente”, disse Hans Van Cleef, economista sênior de energia do ABN Amro, em nota, conforme divulgou a agência Dow Jones Newswires. “Isso é em parte para proteger sua participação no mercado dos americanos, mas também para poder atender às suas próprias necessidades financeiras. Afinal, muitos dos países da Opep + estão em apuros financeiros e alguma produção extra de petróleo – certamente ao preço atual – poderia trazer alívio”, disse ele.
Não seria uma surpresa ver “intervenções verbais” dos membros da Opep + já em 3 e 4 de março, quando eles se reunirão novamente para acordar os níveis de produção para abril e além, afirmou.