Até agora, Suécia não vê sinais de imunidade de rebanho contra covid-19
Fonte: Valor Econômico (25 de novembro de 2020)

Stefan Lofven, primeiro-ministro da Suécia, dá uma entrevista coletiva em Estocolmo — Foto: Soren Andersson/TT News Agency via AP/Arquivo
Há poucas evidências de que a imunidade de rebanho esteja ajudando a Suécia a combater o coronavírus, de acordo com o principal epidemiologista do país.
“A questão da imunidade coletiva é difícil”, disse Anders Tegnell, em uma entrevista coletiva em Estocolmo na última terça-feira. “Não vemos sinais de imunidade na população que estejam reduzindo a infecção no momento”.
Os suecos foram mais expostos ao vírus do que seus vizinhos na região nórdica da Europa, e um em cada três testes para covid-19 feito em Escolmo apresenta anticorpos, de acordo com dados publicados esta semana. Isso depois de o país ter optado por não fazer um “lockdown”, confiando em medidas voluntárias.
Tegnell disse anteriormente que a imunidade coletiva é difícil de medir e até questionou os números oficiais. As autoridades suecas deixaram claro que a imunidade não é um objetivo político, mas a exposição do país ao vírus torna-o um caso de teste óbvio para observar a teoria.
Em um estudo recente da OCDE, a Suécia é consistentemente classificada entre as nações mais afetadas na Europa, conforme medido pelas taxas de mortalidade e de infecção de covid-19. Foi também o mais lento em conter a transmissão. A Suécia foi recentemente forçada a recalibrar sua abordagem contra o vírus, já que a taxa diária ultrapassou 7.000 casos.
No que o primeiro-ministro Stefan Lofven chamou de uma medida “sem precedentes” no início deste mês, os suecos não serão mais livres para se reunir em público em grupos maiores que oito. A venda de álcool também está proibida a partir das 22h. Lofven usou um raro discurso televisionado no último domingo para implorar a seus compatriotas que fizesse mais.
“A saúde e a vida das pessoas ainda estão em perigo e o perigo está aumentando”, disse ele.
As novas restrições surgem em meio a avisos de que os leitos de terapia intensiva da Suécia estão ficando cheios muito rapidamente. Enquanto isso, as autoridades do país estão alertando contra apostar tudo em uma possível vacina no futura.
“Ainda estamos vendo um aumento no número de pacientes que precisam de cuidados e de cuidados intensivos”, disse Thomas Linden, chefe de departamento do Conselho Nacional de Saúde e Bem-Estar da Suécia, na reunião de terça-feira.
“Não se deve tomar o fato de haver uma vacina daqui a alguns meses como uma indicação para descuido com as medidas. Em uma terceira onda, o sistema de saúde ficará ainda mais tenso do que até agora”, disse Linden.