Klabin vai explorar mercado de carbono e serviços ambientais
Fonte: Valor Econômico (23 de novembro de 2020)

Empresa tem estoque de mais de 4,7 milhões de toneladas de carbono equivalente e pode vender esses créditos no mercado
Estreante e única indústria brasileira no Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI) neste ano, a Klabin já está pronta para entrar nos mercados de carbono e de serviços ambientais. Dona de um estoque de mais de 4,7 milhões de toneladas de carbono equivalente, a companhia pode vender esses créditos no mercado, quando houver regulamentação, ou em transações bilaterais, com companhias que precisam compensar emissões.
De acordo com o diretor de Tecnologia Industrial, Inovação, Sustentabilidade e Projetos da companhia, Francisco Razzolini, há negociações privadas em curso, mas ainda faltam definições importantes, como o preço. “A Klabin quer ir além do crédito de carbono. Quer também o reconhecimento em serviços ambientais”, disse ao Valor. Primeira empresa de papel e celulose na América Latina a receber o selo FSC (do inglês Forest Stewardship Council), há mais de 20 anos, a Klabin tem hoje cerca de 240 mil hectares de florestas nativas para 258 mil hectares de cultivo de pinus e eucalipto, garantindo uma base robusta para exploração de serviços ambientais – a companhia vai buscar também o selo de carbono neutro.
Com a adesão aos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2016 e entrada no Pacto Global do clima, entre outras adesões, a empresa traçou um amplo roteiro de sustentabilidade que resultou em uma agenda até 2030. Esse conjunto de mais de 20 metas, entre as quais elevar de 97% a 100%, até 2030, a reutilização de resíduos em toda a operação, zerando o descarte em aterros, será lançado no Klabin Day, marcado para 4 de dezembro.
Nos últimos 15 anos, segundo o executivo, a Klabin já reduziu em 45% o consumo específico de água (por tonelada de produto) e a emissão de gases do efeito estuda, na mesma métrica, em 60%. Esse movimento terá continuidade com os novos investimentos da companhia, que também elevarão a geração de energia renovável. A meta é chegar a 92% em dez anos, contra 89% atualmente.
Na avaliação do diretor financeiro e de relações com investidores da Klabin, Marcos Ivo, a companhia deve se beneficiar também economicamente pela maior atenção do mercado em geral à sustentabilidade, que ganhou a roupagem “ESG” mais recentemente, em pelo menos duas frentes: a maior demanda por seus produtos de papel e, portanto, mais sustentáveis que outros materiais, e a monetização de créditos de carbono e serviços ambientais e novas captações “verde”. “Essa onda de busca por um mundo mais sustentável veio para ficar”, afirmou.
A percepção de que o índice DJSI vem ganhando cada vez mais relevância, contou, levou a companhia a começar a se preparar para submeter o questionário de avaliação, que considera 102 indicadores relacionados a meio ambiente, sociedade e governança, a partir de 2019. Segundo o gerente de Sustentabilidade e Meio Ambiente da Klabin, Júlio Nogueira, a avaliação não é feita somente com base na fotografia da operação neste momento e considera um histórico de ao menos cinco anos.