Hidrovias do Brasil sai de lucro para prejuízo de R$ 8,5 mi no 3º trimestre
Fonte: Valor Econômico (13 de novembro de 2020)
Depois da abertura de capital, a Hidrovias do Brasil planeja manter seu plano de expansão, por meio de sua estrutura atual, novos projetos e aquisições, afirmou o diretor financeiro da empresa, Andre Kubota.
A companhia acaba de publicar os resultados de seu terceiro trimestre — a primeira divulgação desde a oferta inicial de ações na bolsa. No período, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 8,5 milhões, revertendo o lucro de R$ 22,16 milhões registrado no mesmo trimestre de 2019.
A receita do grupo cresceu 70%, para R$ 464,7 milhões. O lucro operacional foi de R$ 79,5 milhões, alta de 5,6%. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 134,4 milhões, 17% maior do que há um ano.
O que pesou no lucro líquido foram aumentos de custos, despesas operacionais e despesas financeiras líquidas, que cresceram 68%, para R$ 75,6 milhões.
A alavancagem, medida pela dívida líquida pelo Ebitda, terminou o trimestre em 7,4 vezes, um pouco abaixo da marca de 7,8 vezes registrada no trimestre anterior. Apesar do índice alto, não há dívidas com vencimento nos próximos quatro anos.
O plano agora é justamente ampliar a geração de caixa dos negócios atuais e novos. Além das frentes em operação, a Hidrovias do Brasil planeja iniciar oficialmente em 2021 sua operação no Porto de Santos, um terminal de fertilizantes e sal, arrematado em um leilão do governo federal em agosto do ano passado.
“Estamos finalizando as obras no terminal, que hoje está em fase pré-operacional. A ideia é que ele opere de forma completa em 2022”, diz Kubota. Ao levar o terminal, a empresa se comprometeu a fazer investimentos de R$ 220 milhões na estrutura, que poderá explorar por 25 anos.
Entre os planos do grupo está fortalecer a movimentação de fertilizantes — uma carga de importação que utilizaria a mesma estrutura já existente na companhia, que transporta um alto volume de grãos voltados ao mercado externo.
Outro exemplo de investimento que aproveitaria uma estrutura existente é o projeto de um terminal de gás natural liquefeito em Barcarena, no Pará, onde a Hidrovias tem um terminal privado. Hoje, a companhia tem conversas com clientes em potencial para tirar o empreendimento do papel, mas ainda nada firmado, segundo o diretor.
Também está na mira da empresa fazer aquisições de ativos que tenham sinergias operacionais com os negócios atuais. O foco seriam companhias no segmento de navegação e operadores portuários. “Não é um mercado tão pulverizado quanto, por exemplo, o de transporte de caminhões. Mas há alguns alvos”, afirma.
A Hidrovias do Brasil abriu o capital no fim de setembro, com o preço de R$ 7,56 por ação — o piso da faixa indicativa. Nos dias seguintes, os papéis fecharam em queda.
Na avaliação de Kubota, o desempenho foi prejudicado por três fatores externos: a volatilidade externa, provocada pelas eleições nos Estados Unidos; a pandemia, que já começava a viver sua segunda onda em diversos países; e a instabilidade política no Brasil, por conta de fatores como a crise fiscal e disputas internas do governo federal.
“Do ponto de vista da empresa, o período de silêncio atrapalhou uma comunicação mais ativa com o mercado, para tirar preocupações do investidor. Agora, nosso resultado mostra crescimento, controle de custos, acho que isso pode ajudar”, afirmou.
“O que podemos fazer, estamos fazendo ao máximo, trabalhando para entregar resultados. Também não estamos contentes com a performance”, disse.
