Programa de aprendizes na agroindústria cresce e quer chegar a 1,5 mil jovens até o final de 2020
Fonte: Revista Globo Rural (04 de novembro de 2020)

No programa de aprendizes do CIEE, jovens estudantes têm contato com diversas áreas da produção agropecuária (Foto: Divulgação/CIEE)
Em 2019, Francielly Gomes dava aulas de reforço para 18 estudantes que estavam no ensino fundamental. Com 18 anos, ela ensinava português, matemática, ciência e geografia. E, enquanto buscava seu primeiro emprego formal, cursava o técnico em enfermagem e a licenciatura em pedagogia hospitalar na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Residente da zona rural de São Luiz do Quitunde (AL), município situado a cerca de 55 quilômetros da capital, Maceió, ela conta que há poucas opções de trabalho na região. “Eu dava aulas. Mas estava com a expectativa de conseguir o meu primeiro emprego com carteira assinada”, relembra.
As coisas começaram a mudar quando Francielly se inscreveu no “Programa Aprendiz no Agronegócio” do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). As primeiras turmas para o processo, que oferece capacitação a jovens no setor agroindustrial, começaram justamente no ano passado, com a seleção de 844 aprendizes.
Ela foi selecionada para sua primeira experiência na Usina Santo Antônio, que trabalha com o cultivo de cana-de-açúcar e o processamento para o açúcar, etanol e bioenergia. Desde julho do ano passado, aprendeu sobre o manuseio de pragas e como a qualidade do corte da cana faz diferença na produção.
Francielly explica que, apesar da possibilidade de carreira no agronegócio, seu sonho de infância é trabalhar na área hospitalar. No entanto, ela reconhece a importância da primeira experiência para futuras oportunidades. “A capacitação que tive no processo foi fundamental. O programa ajuda a desenvolver habilidades e a comunicação dentro da empresa”, diz.
Atualmente, são 1.055 jovens atuando no programa do CIEE, que tem duração de até 2 anos. Dividido entre três áreas de atuação nas companhias do segmento agrícola, como as atividades produtivas na lavoura, a mecanização ou a indústria de carnes, a expectativa é encerrar 2020 com o total de 1,5 mil aprendizes.
Momento positivo
O programa chama a atenção por outro aspecto: enquanto a expectativa é que a economia brasileira encolha acima de 5% em 2020, o segmento agrícola vem vivendo um bom momento, puxado pelas exportações de carnes e grãos. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, o PIB do agro cresceu 5,26% no primeiro semestre.
Tudo isso em meio à pandemia de coronavírus, que levou à retração da economia global. “O setor se mostra resiliente à crise e o programa vem de encontro com essa realidade para atender às demanda das empresas parceiras dentro do agro. Com a revolução tecnológica, como a agricultura 4.0, o mercado de trabalho está cada vez mais exigente”, diz Lilian Alencar, supervisora de Atendimento no CIEE.
Um dos requisitos do programa é que os jovens tenham entre 18 a 24 anos e estejam cursando ou formados no ensino médio. O outro ponto – e talvez o mais importante – é atender os que apresentem algum tipo de vulnerabilidade social, o que ajuda a desenvolver com emprego, renda e capacitação os rincões do país.
Para participar do programa
- Idade: entre 18 e 24 anos incompletos.
- Escolaridade: Cursando ou formados no ensino médio (não são aceitos jovens que estejam na faculdade, mas o ingresso em cursos superiores após a contratação é um efeito desejável do programa)
- Situação socioeconômica: O programa é voltado para jovens que apresentem algum tipo de vulnerabilidade social, e, por isso, apresentam maiores dificuldades de acessarem o mundo do trabalho de maneira formal.
- Estados participantes: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
- Vagas: no momento, são 30 vagas. Mas a expectativa é dobrar o número de posições a partir da próxima semana – a quantidade varia de acordo com a demanda das empresas.
Mais informações: www.ciee.org.br