Jovens brasileiros acreditam que precisam desenvolver competências interpessoais

Fonte: Valor Econômico (28 de agosto de 2020)

Os jovens brasileiros dão grande peso ao desenvolvimento de habilidades comportamentais, como colaboração, capacidade de adaptação e flexibilidade, na hora de avaliar o que é preciso para trabalhar na área de tecnologia. Em um novo estudo global, que entrevistou 300 jovens brasileiros, quase dois terços deles acreditam que habilidades básicas de computador e software são necessárias para trabalhar na área de tecnologia, mas 31% afirmaram que colaboração e trabalho em equipe é fundamental e cerca de 30% apontaram a capacidade de estar aberto para se adaptar e de ser ágil.
 
No estudo, realizado pela IBM com a Morning Consult, mais de sete em cada dez estudantes brasileiros disseram que se sentiam muito ou um pouco confortáveis com agilidade e 67% disseram que se sentem confortáveis com a colaboração e o trabalho em equipe na hora de trabalhar por projetos. Mas há um percentual, não desprezível, que demonstrou o contrário. Um quinto disse que sente desconforto em relação ao uso do pensamento crítico e 14% afirmaram não saber seu nível de preparo com relação a essa habilidade. Mais de 20% afirmaram o mesmo sobre a capacidade de trabalhar em equipe e 19% de ser ágil. “Acho que a pesquisa reflete até uma percepção que vemos dentro da IBM que, às vezes, o jovem possui conhecimento técnico, mas às vezes falta aquele interpessoal, a capacidade de trabalhar em equipes diversas e de colaboração”, diz Christiane Berlinck, diretora de RH da IBM.
 
No âmbito das habilidades técnicas, 70% dos brasileiros entrevistados disseram acreditaram que a inteligência artificial terá um impacto em suas vidas e carreiras, mas 42% se sentem despreparados para lidar com a IA. Segundo a pesquisa, a inteligência artificial é a área que atrai maior interesse dos estudantes (65% afirmaram querer se preparar para utilizá-la). Depois, aparece o interesse para 59% de aprender sobre computação em nuvem e logo em seguida, para 58%, cibersegurança.
 
“O estudo indica que os jovens no Brasil, possuem um conhecimento claro que tecnologia vai fazer parte da profissão deles mas que há um distanciamento entre o conhecimento dos jovens em relação às tecnologias e o que entendem ser necessário para se desenvolverem como profissionais”, diz Christiane. Dois terços dos estudantes brasileiros disseram estar interessados em seguir carreira em tecnologia porque a maioria dos empregos exigirá o uso de tecnologia e metade disse que seu interesse na área é pessoal. O estudo mapeou como 3,635 mil jovens de 16 países encaram as habilidades importantes e a necessidade de desenvolvê-la e, segundo Christiane, as respostas dos brasileiros estão similares àquelas de jovens de outros países.
 
Na visão da executiva, a habilidade mais importante hoje buscada nas organizações é a capacidade de aprendizado e de vivenciar momentos e experiências como fonte de conhecimento. “Não deixando apenas para estudar quando está em uma sala de aula”, diz Christiane, da IBM.