Preparação para seleção virtual é igual à presencial

Fonte: Valor Econômico (15 de junho de 2020)

Tudo o que é recomendado para um candidato, antes de fazer uma entrevista presencial, vale para a seleção on-line. Estudar a empresa empregadora e ser pontual na hora viraram mantras no setor. “Mostre interesse pela oportunidade e não fale mal de antigas chefias”, diz Mário Custódio, diretor de recrutamento da consultoria Robert Half. “Também evite perguntar sobre o salário no primeiro contato.”
 
Na opinião de Carlos Guilherme Nosé, CEO da Fesa Group, é importante se conectar ao programa de videoconferência antes do horário e reservar o local mais silencioso da casa para a conversa. “Atenção para não ser interrompido por animais domésticos e filhos”, diz. Ele também indica fazer um sinal antes de falar na reunião, para o diálogo não ficar truncado.
 
Durante o bate-papo, Nosé diz que demonstrar otimismo e energia é fundamental para uma avaliação positiva. “Ficar se lamentando da situação atual não pega bem.” Nas últimas semanas, o especialista percebeu um movimento de empresas que estão mudando o perfil dos executivos buscados. “Cada vez mais o ‘digital’ é exigido dentro das organizações, em departamentos como marketing, logística e manufatura”.
 
Os recrutadores também devem fazer o dever de casa durante a entrevista on-line, diz Marcel Lotufo, CEO e co-fundador da startup Kenoby. Uma pesquisa realizada pela companhia, com 1,3 mil gestores de RH de empresas com até 500 funcionários entre março e abril de 2020, indica que 33% dos empregadores querem aumentar a assertividade nas contratações. “Fale sobre a cultura corporativa, liste as atribuições do cargo e crie um ambiente de confiança com os candidatos”, diz. Guilherme Dias, co-fundador e CMO da Gupy, lembra que é necessário adotar transparência. “O recrutador deve explicar como será todo o recrutamento para deixar o processo fluido, mesmo a distância.”
 
Na fintech PraValer, com cerca de 350 funcionários, toda a seleção de quadros 100% digital é feita em até sete dias por vaga. A empresa antecipou uma decisão que planejava para o decorrer do ano: está admitindo colaboradores da área de tecnologia para trabalhar remotamente mesmo no pós-pandemia. “Contratamos quatro funcionários nesse formato e há vagas em aberto”, diz Fernanda Inomata, head de assuntos institucionais. Com a mudança, a captação de talentos extrapolou os limites de São Paulo e arregimentou profissionais, a maioria desenvolvedores, em quatro estados. Todo o equipamento de trabalho, como notebook e celular corporativo, segue pelo correio. “É preciso mudar o conceito de que um time só pode funcionar bem presencialmente. Esse não é o futuro do trabalho.”