Importação de carros cai após tratado
Fonte: Valor Econômico (08 de junho de 2020)
Um ano após assinado, o acordo de livre comércio no setor automotivo entre Brasil e México resultou em queda no comércio bilateral. Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que as importações de automóveis e peças mexicanos pelo Brasil recuaram 27% de março de 2019 a fevereiro de 2020 ante os 12 meses anteriores.
As exportações avançaram 5%.
“Quando estendemos o acordo de livre comércio no setor automotivo, esperávamos melhorar o comércio para os dois lados”, disse o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi. A frustração, acredita, se deve às dificuldades dos mexicanos em cumprir índices de conteúdo local.
Os produtos exportados no âmbito do acordo precisam ter 40% de itens fabricados no país. É um índice menor do que o exigido no Mercosul, por exemplo, onde é de 60%. No entanto, a indústria mexicana tem dificuldade em cumpri-lo. No período, o Brasil deixou de importar 15 produtos do México, como automóveis para mais de seis pessoas, carros com motor elétrico e fluido para freio hidráulico.
Para a CNI, a desvantagem do México nas transações é uma pressão adicional para ampliar o livre comércio para outros produtos. Com mais itens na pauta, aumentariam as chances de restabelecer o equilíbrio. “As economias são complementares”, afirma Abijaodi. Estimativas da Coalizão Empresarial Brasileira indicam que as transações podem crescer até 40% com o livre comércio.
Hoje, o livre comércio entre Brasil e México tem pouco mais de mil itens. A expansão é um projeto antigo do setor privado brasileiro. “Não há razão para não trabalharmos num acordo”, comentou.