Quatro perguntas que todo gestor deveria fazer
Fonte: Valor Econômico (08 de junho de 2020)
Com o home office virando o novo normal e a perspectiva que um modelo total ou híbrido de trabalho a distância passando a ser definitiva, cada líder precisa analisar e decidir o modelo de relacionamento com o time. Está evidente uma série de benefícios que o trabalho remoto traz. Porém já percebo vários líderes negligenciando alguns efeitos colaterais nesse novo jeito de trabalhar.
Se o home office pode significar aumento de produtividade e conveniência, pela facilidade de marcar reuniões ou pela grande economia de deslocamento diário que proporciona, também deixa as interações entre pessoas muito mais “estéreis”. Talvez mais frias ou até superficiais. Cabe a cada líder reconhecer e agir considerando esses fatores. Minha sugestão é incluir, em cada interação virtual, quatro perguntas que todo líder deveria fazer nesse momento.
1) Como você está?
Perguntas dessa natureza costumavam servir para quebrar o gelo em uma conversa, evento ou até quando fazia tempo que não nos encontrávamos com determinada pessoa. No meio de uma pandemia e com novos formatos de trabalho em prática, a importância dessa abordagem ganhou uma nova dimensão. Perguntar como alguém está traz uma verdadeira preocupação do líder com quem ele está interagindo – muito antes de entrar na agenda específica da reunião. Uma pergunta aberta possibilita uma deixa ao seu colaborador para que traga alguma questão pessoal ou desafio familiar que esteja enfrentando. Nesse momento, o líder pode atuar como mentor, ajudá-lo com conselhos ou sugestões para administrar determinado desafio. Dependendo da resposta do funcionário, o líder também pode trazer para a conversa os próprios desafios, gerando uma conexão muito maior e, muitas vezes, uma mentoria reversa.
2) O que está passando na sua cabeça agora?
Depois da conexão inicial, ainda mais importante pelo distanciamento que nos encontramos, essa segunda pergunta tem como objetivo entender as prioridades do seu colaborador e visualizar as preocupações dele. Aprender isso logo no início da conversa ajuda a customizar a abordagem endereçando o tema e, se necessário, mudando o foco da conversa (caso acredite não ser o melhor uso da energia e talento dele nesse momento).
3) O que está dando certo agora?
Pergunta clássica da técnica Apreciative Inquiry (modelo de investigação apreciativa bastante usada em processos de coaching e mediação) tira a pessoa do lugar de reclamação e da negatividade e amplia a visão das possibilidades que existem ao seu redor. É importante estimulá-lo a perceber que muita coisa na vida dele, nesse exato momento, está dando certo. Essa troca possibilita um maior equilíbrio e concentração de energia no que verdadeiramente importa .
4) Como posso te ajudar?
Mais do que nunca, esse é o momento de quem lidera se colocar ao lado e à disposição de quem está no seu time. Essa pergunta traz claramente essa intenção. Faz do líder mais humano, generoso, uma pessoa que não pensa somente em cobrar metas ou colocar pressão . Nesse momento, todos nós estamos muito mais vulneráveis e uma cobrança ou pressão fora de tom pode trazer menos resultados e engajamento. Descobrir também como você pode ajudar seu colaborador é um atalho para incrementar o desempenho dele e o seu também.
Ao escrever essas quatro perguntas percebi que está faltando uma. Mas não trata-se de uma pergunta a ser feita aos colaboradores. Essa questão é para você! Você pode e deve se perguntar ao fim de cada dia: como líder, eu estou potencializando os talentos e competências de quem faz parte do meu time?
Seja no modelo home office, presencial ou híbrido, performance ainda é o nome do jogo. E o líder de alta performance continuará sendo tanto ou ainda mais valorizado pelos desafios e oportunidades que a pandemia nos apresenta.