Crise pandêmica é chance para os governos corrigirem ineficiências dos apoios ao shipping
Fonte: Revista Cargo (14 de maio de 2020)
Os efeitos da crise pandémica serão bastante severos e perdurarão em 2021 e 2022, adiantou a Fórum Internacional do Transporte (ITF) no seu relatório, havendo mesmo a possibilidade de algumas falências entre as transportadoras marítimas de carga contentorizada (fazendo lembrar a queda da Hanjin). Ainda assim, explica, a crise poderá dar uma nova chance aos governos para corrigirem o sistema de auxílio prestado às companhias.
No seu mais recente relatório, o ITF analisa a possibilidade de, durante os anos de 2021 e 2022 (nos quais se sentirão, ainda mais, os efeitos econômicos e financeiros da crise pandêmica) as transportadoras serem resgatadas pelos governos, deixando várias objeções a essa perspectiva. Para o organismo da OCDE, os governos devem sim tirar vantagem do impacto do COVID-19 para resolver ineficiências nos sistemas de auxílio.
O ITF propõe, em particular, que se coloque um ponto final nas lacunas fiscais, que se reduzam as isenções e que se introduza um sistema de preços de carbono no âmago do transporte marítimo de mercadorias. Vinca o organismo que os governos podem estimular um modelo de transporte de contentores mais resistente a crises, que inclui condições claras em relação ao valor que o sector cria para a sociedade, englobando a sustentabilidade ambiental e internalizando custos e riscos externos no preço do transporte marítimo de contentores.
No documento, o ITF deixa antever a possibilidade de, nos próximos dois anos, algumas transportadoras marítimas poderão ser forçadas a procurar resgates por parte dos governos, na sequência da recessão provocada pela crise pandêmica e pelas medidas de restrição tomadas pelos estados. Este cenário suscita várias preocupações, vinca o organismo no relatório. Poderá existir assim, no horizonte, uma chance de reescrever a história dos auxílios às empresas do sector – resta saber se o governos levarão em conta os conselhos do ITF.