Commodities: Queda do dólar ante o real eleva preços de café e açúcar
Fonte: Valor Econômico (29 de abril de 2020)
A desvalorização do dólar ante o real deu suporte aos preços do café e do açúcar nesta terça-feira na bolsa de Nova York. Os contratos do café arábica com vencimento em julho subiram 1,32% (140 pontos), para US$ 1,076 por libra-peso, enquanto os lotes do açúcar demerara com o mesmo vencimento encerraram a sessão negociados a 9,52 centavos de dólar a libra-peso, alta de 1,49% (14 pontos).
A moeda americana registrou queda de 2,53% em relação à brasileira, para R$ 5,5150, e desvalorizações como essa costumam desincentivar as exportações de países produtores dessas commodities como o Brasil, à medida que caem os ganhos em real.
No caso do café, o afrouxamento do período de quarentena nos Estados Unidos e na Europa, em meio ao coronavírus, também colaborou para uma correção para cima das cotações, apontou o analista Gil Barabach, da consultoria Safras & Mercado, ao Valor.

No longo prazo, porém, a perspectiva de safra recorde no Brasil, deverá limitar os ganhos. “A partir de maio teremos a entrada da safra brasileira no mercado, o que pesará sobre os preços do café”, afirmou o analista. No caso do café, o afrouxamento do período de quarentena nos Estados Unidos e na Europa, em meio ao coronavírus, também colaborou para uma correção para cima das cotações, apontou o analista Gil Barabach, da consultoria Safras & Mercado, ao Valor.
No mercado de açúcar, os preços voltaram a subir após terem registrado o menor valor desde agosto de 2007. Apesar da alta, uma notícia baixista da Índia poderá influenciar o pregão nos próximos dias.

O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na Índia estimou nesta terça-feira que o consumo de açúcar no mercado local poderá cair entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas em decorrência da pandemia, o que aumentará o excedente exportável do país, que é um dos maiores países produtores de açúcar no mundo.
A redução deverá ocorrer por causa da menor demanda das indústrias de alimentos, que estão operando com maior capacidade ociosa e reduziram as compras de açúcar em março e abril, segundo o escritório.
Ainda na bolsa de Nova York, os preços do cacau fecharam no campo positivo pelo segundo pregão consecutivo. Os lotes com vencimento em julho ficaram em US$ 2.342 a tonelada, alta de 0,52% (US$ 12).
O avanço acompanhou os indicativos de demanda mais forte nos Estados Unidos, apontou a consultoria Barchart, em relatório. Uma pesquisa conduzida pela empresa Nielsen mostrou que as vendas de chocolate no varejo americano aumentaram 5,7% no período de oito semanas encerrado em 18 de abril em relação a igual intervalo do ano passado.
Além disso, na segunda-feira a Costa do Marfim, maior país produtor da amêndoa do mundo, informou que entre 20 e 26 de abril enviou 23,2 milhões de toneladas de cacau aos portos, queda de 38,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A notícia contribui para oferece sustentação às cotações.
Também no mercado nova-iorquino, os contratos futuros de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) com vencimento em julho registraram alta de 1,69% (190 pontos) e fecharam a US$ 1,1410 por libra-peso.
Em relatório, o analista Jack Scoville, da consultoria Price Futures Group, disse que a demanda dos supermercados americanos por suco de laranja permanece alta. “O apoio dos preços do suco tem suporte nos efeitos contínuos do coronavírus, que mantêm as pessoas em busca de bebidas ricas em vitamina-C”, reforçou o analista.
Já no mercado de algodão, os contratos futuros com vencimento em julho subiram 1,4% (77 pontos) e encerraram o dia a 55,78 centavos de dólar a libra-peso.
Ao Valor, a analista Gabriela Fontanari, da INTL FCStone, disse que a alta derivou das perspectivas de seca na região produtora de algodão nos Estados Unidos.