Coronavírus hoje: Brasil tem 2.906 mortes e China tem mais casos que o oficial

Fonte: Valor Investe (23 de abril de 2020)

O número de mortes em razão da pandemia do novo coronavírus (covid-19) chegou a 2.906, conforme balanço mais recente divulgado ontem (22) pelo Ministério da Saúde. Já os casos confirmados subiram para 45.757. O índice de letalidade ficou em 6,4%. O ministro da Saúde, Nelson Teich, confirmou que 25,3 mil pessoas conseguiram se recuperar da doença.
 
O número de óbitos marcou um aumento de 6% em relação a terça-feira (21), quando foram registradas 2.741 vítimas de covid-19. Já os casos confirmados representaram um crescimento de 6,2% sobre os dados de ontem, quando foram contabilizadas 43.079 pessoas infectadas.
 

 

 
 
São Paulo concentra o maior número de falecimentos (1.134), quase três vezes o número do segundo colocado, o Rio de Janeiro (490). Os estados são seguidos por Pernambuco (282), Ceará (233) e Amazonas (207).
 
Além disso, foram registradas mortes no Maranhão (66), Paraná (57), Bahia (50), Minas Gerais (47), Pará (43), Paraíba (39), Santa Catarina (37), Espírito Santo (34), Rio Grande do Norte (29), Rio Grande do Sul (27), Distrito Federal (25), Goiás (21), Alagoas (20), Piauí (15), Amapá (14), Acre (oito), Sergipe (sete), Mato Grosso (seis), Mato Grosso do Sul (seis), Rondônia (cinco), Roraima (três) e Tocantins (um).
 
Primeira coletiva
O ministro da Saúde, Nelson Teich, participou de sua primeira coletiva e tratou dos planos da nova gestão da pasta. Ele declarou que o Brasil tem desempenho acima de outros países, como Estados Unidos, Itália, Alemanha e França, quando considerado o número de mortes por conta da covid-19 em relação ao total da população.
 
Em relação ao isolamento social, ele afirmou que até o fim da semana a nova equipe deverá concluir ajustes às diretrizes definidas pela gestão de Luiz Henrique Mandetta para orientar estados e municípios a definir sua forma de distanciamento.
 
Pela recomendação já anunciada por Mandetta, considerando a incidência de casos e a capacidade de atendimento (de pelo menos metade dos leitos, disponibilidade de trabalhadores da saúde e insumos), seria possível migrar de um distanciamento “ampliado” para “seletivo”, com maior flexibilização e abertura de atividades econômicas.
 
“Afastamento é medida natural na largada. Mas não pode ficar sem um programa de saída. Vamos demorar um ano e meio para ter vacina. O país não pode sobreviver este período parado”, opinou.
 
O novo ocupante da cadeira não adiantou o que deverá mudar, mas ressaltou que o Brasil demanda medidas específicas para cada local. “O Brasil é gigante e heterogêneo, não tem como uma diretriz não ser customizada para diferentes regiões do país. Qual é a estrutura de leitos, quantos por cento estão ocupados, como está a parte de recursos humanos?” questionou, listando temas que devem ser considerados na adoção dessas medidas.
 
Informação
Uma outra frente de atuação da nova gestão será a coleta e análise de informação. Teich destacou que pelo fato da covid-19 ser um fenômeno novo, há necessidade de conhecê-la para definir as respostas.
 
Ele adiantou que um banco de dados será criado com participação não somente do MS como de outros ministérios, como Casa Civil. “Vamos buscar integração maior com outros grupos do governo para sistematizar da informação. A gente vai ter dados ligados a hospitais, estados. Tudo vai ser consolidado num programa ligado a vários ministérios”, informou.
 
Nelson Teich apontou como “terceira frente” de sua gestão a viabilização da infraestrutura. Ele anunciou a chegada do general Eduardo Panzuello para a secretaria executiva e disse que a experiência do general será importante para agilizar as medidas em relação a insumos, remédios e equipamentos.
 
Outras demandas
O novo ministro chamou a atenção também para o cuidado com outras doenças, que seguem ocorrendo e que demandam tratamento e estrutura para atendimento. Ele mencionou que pessoas com doenças crônicas estão tendo dificuldade de acesso ao sistema de saúde.
 
“Doentes com outras doenças, como câncer, não estão chegando [às unidades de saúde]. Tem pessoas morrendo em casa por infarto por que não vão ao hospital em tempo. É fundamental que a gente por mais eu foque na covid não esqueça as outras pessoas”, ponderou.
 
Em razão do que chamou de “demanda reprimida” de casos “não-covid-19”, quando o sistema se estabilizar pode ter uma segunda crise em razão da necessidade de dar vazão a esses casos que agora não estão procurando atendimento.
 
Feiras no Rio
A prefeitura do Rio decidiu suspender, por 10 dias, as feiras livres na cidade. A determinação, do prefeito Marcelo Crivella, passa a valer a partir desta quinta-feira (23). O objetivo é ajudar a conter a propagação do coronavírus.
 
A medida afeta 162 feiras livres montadas em quase todos os bairros da cidade. Segundo Crivella, a proibição é temporária, para evitar a proximidade excessiva entre as pessoas.
 
“É um freio de arrumação importante para que evitemos aglomerações e a aceleração do contágio. A curva da doença é ascendente e não podemos brincar com a saúde das pessoas. Já houve um sacrifício até agora. Mais um pouco e todos voltaremos à vida normal”, disse o prefeito.
 
Os feirantes serão chamados pela prefeitura para estabelecer estratégias que evitem prejuízos.
 
As informações são da assessoria de comunicação da prefeitura.
 
Visitas nos presídios
O Departamento do Penitenciário Nacional (Depen) suspendeu por 30 dias, a contar desta quinta-feira (23), as visitas, os atendimentos de advogados, as atividades educacionais, de trabalho, as assistências religiosas e as escoltas realizadas nas penitenciárias federais, como forma de prevenção, controle e contenção de riscos do novo coronavírus (covid-19).
 
A medida não atinge os casos de atendimentos de advogados, em decorrência de necessidades urgentes ou que envolvam prazos processuais não suspensos; as escoltas de requisições judiciais, inclusões emergenciais e daquelas que por sua natureza, precisam ser realizadas.
 
A portaria com a decisão está publicada no Diário Oficial da União de hoje e considera, entre outras ações, a situação do emprego urgente de medidas de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde dos servidores, colaboradores e presos, enfim, a proteção de todos, a fim de evitar a disseminação da doença no âmbito das penitenciárias federais.
 
O documento diz ainda que o Sistema Penitenciário Federal já elaborou o procedimento operacional padrão de medidas de controle e prevenção da doença, devido a necessidade de se estabelecer um plano de resposta e também padronizar ações e medidas de controle e prevenção nas penitenciárias federais.
 
A portaria determia também que as penitenciárias deverão adotar as providências necessárias de modo a promover o máximo isolamento dos presos maiores de 60 anos ou com doenças crônicas durante as movimentações internas nos estabelecimentos.
 
Leitos vagos
A Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou, ontem à noite, que a União libere leitos vagos nos hospitais federais do estado fluminense para pacientes com covid-19.
 
A 15ª Vara Federal do Rio de Janeiro estabeleceu, ainda, prazo de 48 horas para União informar providências tomadas para regularizar problemas de carência de pessoal e de suprimentos dos mesmos hospitais.
 
Além disso, na decisão, também consta prazo de 48 horas para a União esclarecer sobre as unidades hospitalares móveis a serem montadas pelo Exército Brasileiro, para auxiliar no combate à pandemia.
 
A decisão da magistrada Carmen Silvia Lima de Arruda nessas determinações atende pedido do Estado do Rio de Janeiro, nesse sentido.
 
Na decisão, a juíza designou, ainda, audiência na próxima segunda-feira, 27 de abril, a ser realizada por videoconferência, às 17h, entre as partes envolvidas para falar sobre o tema.
 
Em sua determinação, a magistrada cita os hospitais federais no Rio, alvos da decisão. São eles: Hospital Federal do Andaraí, Hospital Federal de Bonsucesso, Hospital Federal Cardoso Fontes, Hospital Federal da Lagoa, Hospital Federal de Ipanema e Hospital Federal dos Servidores do Estado. Caso não cumpram decisão de liberação de leitos, em 48 horas, os diretores dos referidos hospitais receberão multa diária de R$ 1.000 por dia de atraso no cumprimento, informou a Justiça Federal do Rio.
 
A juíza também completou que deve ser implantado sistema, a ser contratado e custeado pelo Estado do Rio de Janeiro, que possibilite monitoramento, pelo Estado, de ocupação de leitos em hospitais federais em tempo real.
 
A magistrada detalhou, ainda, que de acordo com consulta em plataforma da secretaria municipal de saúde, já existem em torno de 237 pacientes aguardando transferência para rede federal hospitalar e esse é um “número que tende a aumentar exponecialmente”, segundo decisão da juíza.
 
China
Mais de 232 mil pessoas podem ter sido infectadas na primeira fase de contágio pelo novo coronavírus na China continental, número quatro vezes superior ao divulgado pelas autoridades à época. A conclusão é de um estudo realizado em Hong Kong, que surge depois de Pequim ter sido acusada por vários países de não ser transparente em relação aos números e à origem da pandemia.
 
Até 20 de fevereiro, quando a China era ainda o epicentro da pandemia, as autoridades anunciavam ter registrado 55 mil casos de covid-19 no país. No entanto, um estudo da Universidade de Saúde Pública de Hong Kong revela que esse número pode ter sido muito superior, já que até então as autoridades não tinham determinado com exatidão quem era considerado um doente com covid-19.
 
Entre 15 de janeiro e 3 de março, a Comissão Nacional de Saúde da China lançou sete versões da definição de “caso de covid-19”. De acordo com o estudo, essas mudanças tiveram “efeito substancial” no número de infeções que foram consideradas covid-19 ao longo do tempo.
 
À medida que o conhecimento científico sobre o vírus e a capacidade laboratorial aumentavam na China, a definição de “caso confirmado” foi passando a incluir, por exemplo, pessoas com sintomas ligeiros ou doentes sem ligação epidemiológica a Wuhan, cidade onde começou o surto.
 
Até o lançamento da quarta definição de “caso de Covid-19”, cada alteração levava a um aumento da quantidade de casos contabilizados.
 
“Se a quinta versão da definição de caso [de covid-19] tivesse sido aplicada desde o início do surto e fosse acompanhada de capacidade de testagem suficiente, estimamos que até 20 de fevereiro tivessem sido registrados 232 mil casos confirmados na China, em vez dos 55.508 que foram divulgados”, considera o estudo.
 
EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ontem um decreto que suspende temporariamente a imigração para o país durante a pandemia do novo coronavírus, segundo a agência Reuters.
 
“Isso garantirá que norte-americanos desempregados sejam os primeiros na fila para empregos conforme nossa economia abrir”, afirmou Trump.
 
O presidente norte-americano disse que o país está começando uma reabertura segura dos negócios, mesmo que algumas autoridades de saúde tenham alertado que afrouxar as medidas de isolamento muito rapidamente poderia desencadear uma nova onda de casos de covid-19.
 
Alemanha
A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, fez um alerta nesta quinta-feira e disse que o país pode jogar fora todo o êxito em combater o novo coronavírus se flexibilizar muito rapidamente as quarentenas adotadas para frear a disseminação do vírus.
 
Em pronunciamento no Bundestag, o Parlamento alemão, Merkel disse que a pandemia está apenas no início, que os números “podem enganar” e que os alemães precisam mostrar disciplina para seguir as regras determinadas pelas autoridades.
 
Após reunião com os governadores dos 16 Estados alemães na semana passada, Merkel decidiu permitir, a partir da última segunda-feira, a reabertura de lojas com área menor que 800 metros quadrados. Além disso, algumas escolas já voltarão a funcionar no país no dia 4 de maio, um dia depois do término da quarentena atualmente em vigor.
 
França
O ministro de Finanças da França, Bruno Le Maire, disse nesta quinta-feira que gostaria que todas as empresas do país possam ter condições de voltar a funcionar no dia 11 de maio, quando termina a quarentena decretada pelo presidente Emmanuel Macron contra a pandemia do novo coronavírus.
 
O ministro de Finanças da França, Bruno Le Maire, disse nesta quinta-feira que gostaria que todas as empresas do país possam ter condições de voltar a funcionar no dia 11 de maio, quando termina a quarentena decretada pelo presidente Emmanuel Macron contra a pandemia do novo coronavírus.
 
“Nós queremos que todas as empresas possam reabrir em 11 de maio”, afirmou Le Maire em entrevista à rádio “France Info”. No entanto, o ministro não quis falar sobre bares e restaurantes, um sinal de que eles devem permanecer fechados até pelo menos meados de junho.
 
O presidente da França, Emmanuel Macron, também disse nesta quinta-feira (23) a prefeitos que a flexibilização da quarentena adotada em todo o país contra o novo coronavírus não será feita por regiões. Em comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu, o presidente francês também revelou que pretende dar novos detalhes sobre os planos para relaxar o confinamento no país na próxima terça-feira.
 
Grécia
Vista como exemplo na luta contra o coronavírus, a Grécia anunciou nesta quinta-feira que prorrogará a quarentena adotada em todo o país por mais uma semana, até 4 de maio.
 
A partir da nova data, as autoridades gregas vão discutir como flexibilizar as medidas restritivas de forma escalonada entre os meses de maio e junho, disse hoje o porta-voz do governo, Stelio Petsas, em entrevista coletiva.
 
A Grécia foi um dos primeiros países da Europa a decretar medidas de distanciamento social, conseguindo, assim, evitar a disseminação do novo coronavírus. A quarentena começou em 12 de março, pouco depois da primeira morte por covid-19 no país.
 
O governo também dá crédito à população, que cumpriu amplamente as medidas de confinamento e colaborou com o combate à covid-19 no país, que vive situação muito melhor que outros vizinhos europeus.
 
Segundo a Universidade Johns Hopkins, a Grécia registrou até o momento 2.408 casos do novo coronavírus e 121 mortes.
 
Reino Unido
O Reino Unido deve conviver com as medidas de confinamento pelo menos até o fim do ano. O responsável pelo Departamento de Saúde e Assistência Social, Chris Whitty, considera “totalmente irrealista” que o isolamento social seja suspenso em pouco tempo.
 
Para ele, a saída ideal seria com “uma vacina altamente eficaz”, ou medicamentos, para tratar a covid-19.
 
No entanto, salienta que a possibilidade de existir uma vacina até ao fim do ano é “muito reduzida” e o caminho a percorrer entre a existência de uma vacina e a imunidade generalizada “vai ser muito longo”.
 
O Reino Unido registra 18.100 mortos e 133.468 infectados vítimas do coronavírus. “Esta doença não será erradicada, não vai desaparecer. E temos de aceitar lidar com ela no futuro próximo”, alertou.
 
Ainda segundo Whitty, “é improvável que uma vacina ou medicamentos se concretizem até o próximo ano. Até lá será necessário distanciamento social”.
 
Medidas sociais
Chris Whitty frisa que levantar as restrições seria uma medida “totalmente irrealista” nos dias atuais.
 
“Temos de confiar em medidas sociais, que obviamente são muito perturbadoras socialmente”, salientou.
 
As declarações coincidem com a opinião de Dominic Raab, ministro dos Negócios Estrangeiros, que substitui o primeiro-ministro Boris Johnson.
 
Raab considerou que facilitar as medidas de isolamento social muito cedo é uma medida que pode levar a um segundo aumento dos casos do novo coronavírus no Reino Unido. “O que prolongaria a situação econômica no país”, alertou.
 
Ele reconhece que a “tensão mental, física e econômica devido ao confinamento afeta muitos cidadãos em todo o país”. Mas apela para que “permaneçam em isolamento”.