Brasil pode ter mais dificuldade para sair da crise, diz Wichmann
Fonte: Valor Investe (15 de abril de 2020)
Países emergentes, com menor espaço fiscal e poupança doméstica como o Brasil, vão ter mais dificuldade para sair da crise após políticas anticíclicas usadas para mitigar os efeitos da pandemia de covid-19.
Segundo o ex-Verde Artur Wichmann, sócio da Citrino Gestão de Recursos, embora as métricas de endividamento em relação ao PIB subam em todas as economias, o país tem uma série de preocupações secundárias que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o Tesouro dos Estados Unidos, por exemplo, não têm.
“Se a política fiscal é forte demais, os agentes ficam preocupados com o excesso de endividamento do governo. A dívida/PIB alta pode não convergir no médio prazo e demandar mais prêmios em títulos públicos”, disse ao participar de conferência da XP pela internet.
Do lado da política monetária, o BC brasileiro tem o dilema de não cortar demais os juros sob o risco de inclinar mais a curva das taxas futuras para cima e acentuar a desvalorização do real. “Infelizmente, os emergentes sofrem mais e do ponto de vista de gestão, têm menos poupança e capacidade de ficar em casa sem renda.”
Ele ponderou que políticas de isolamento social e de paralisação de atividades têm que ser muito bem pensadas porque, se depois de 20 dias um autônomo ou profissional liberal não conseguirem colocar comida na dispensa, isso pode virar uma insurgência social.