Consumo de café vai crescer no país

Fonte: Valor Econômico (10 de janeiro de 2020)


 
O reaquecimento da economia brasileira – e, consequentemente, do consumo – deverá fazer de 2020 um ano propício a novos investimentos no mercado brasileiro de cafés, principalmente os especiais. É o que aponta o estudo “The Brazilian Coffee Market”, recém-concluído pelo banco holandês Rabobank.
 
O estudo indica que a receita com as vendas de cafés – especiais e tradicionais -, deverá crescer 34,2% (US$ 3,4 bilhões) no país entre 2019 e 2024. É o equivalente a 66% do crescimento projetado para toda a América Latina no período. Em 2018, esse mercado movimentou US$ 10 bilhões.
 
O consumo de cafés especiais – aqueles que têm mais de 85 pontos na avaliação da BSCA (entidade que representa o segmento) – no Brasil deverá crescer 22% este ano, em linha com a média registrada desde 2017, para 1,2 milhão de sacas. Em 2023, o estudo do Rabobank projeta que o volume deverá alcançar 1,8 milhão de sacas. Considerando o mercado como um todo, a expectativa é que o consumo no país tenha encerrado 2019 em aproximadamente 21,5 milhões de sacas e chegue a 22,1 milhões em 2020 – um incremento de 2,8%.
 
“Começamos o estudo com foco nos cafés especiais, mas percebemos que o mercado como um todo deve se beneficiar de uma melhora no cenário econômico brasileiro, com mais pessoas empregadas e com possibilidade de experimentar novos produtos. Se esse crescimento da economia se confirmar, será um ano potencialmente melhor que 2019”, diz o analista Guilherme Morya, autor do estudo.
 
Ele ponderou que a expectativa é de uma gradual migração dos consumidores brasileiros do café tradicional para o de maior qualidade.
 
O consumo per capita de café no país é de 7,04 quilos por ano.
 
Segundo Morya, o ambiente é favorável para a entrada de novos players no mercado brasileiro de café, bem como para a expansão de capacidade de produção de empresas que atuam no mercado nacional, dominado por cinco grupos: 3Corações, JDE, Maratá, Melitta e Mitsui. As demais torrefadoras respondem por 24% do mercado.
 
“O cenário de juros baixos é favorável a investimentos em um mercado consumidor crescente”, observa. Morya pondera que os recentes investimentos desses grandes players – como a parceria de US$ 7,15 bilhões entre Nestlé e Starbucks para a venda de cápsulas compatíveis com o sistema Nespresso – e a concentração do mercado exigem investimentos mais elevados de quem quiser entrar no segmento, mas que ainda assim a aposta deve valer a pena. Nesse sentido, ele cita o exemplo da recente aquisição do Café Pacaembu pelo grupo Massimo Zanetti.
 
Morya ainda mantém a projeção feita em dezembro para a colheita da safra 2020/21 no Brasil, maior produtor e exportador do grão. O ciclo que será colhido no ano que vem deverá superar o recorde de 2018/19 e alcançar 66,7 milhões de sacas de 60 quilos, sendo 45,9 milhões de arábica e 20,8 milhões de robusta.