Clima prejudica a produção de pêssego na região Sul do país
Fonte: Valor Econômico (09 de janeiro de 2020)
Os suculentos pêssegos provenientes do Sul do país, que responde por 66% da produção doméstica da fruta, deverão chegar logo às mesas dos brasileiros. Mas, por causa de problemas climáticos, a oferta da região neste ano será menor que a de 2018, quando chegou a 104,4 mil toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na região da Serra Gaúcha, as variedades precoces já foram colhidas, conforme a Emater/RS-Ascar, e a queda é grande.
Evair Ehlert, engenheiro agrônomo e responsável na Emater pela área de produção vegetal de Pelotas, uma das principais regiões produtoras de pêssegos do país, diz que o momento é de preocupação entre os produtores do Estado. Em anos anteriores, os pessegueiros de Pelotas produziram entre 50 mil e 60 mil toneladas, enquanto a previsão para a colheita deste ano é de apenas 35 mil toneladas. “Estamos com uma frustração de safra”, disse.
A redução da produção no polo gaúcho se deve ao clima. Maria do Carmo, melhorista e pesquisadora da Embrapa, explica que em 2019 o outono se prolongou e o frio acabou chegando mais tarde no Sul do país. “As safras das variedades bonão, granada e marcel estão atrasadas, e essas são justamente as frutas utilizadas pelas indústrias”, afirmou. Apesar da queda da oferta, a pesquisadora acredita que, em comparação com 2018, a qualidade das frutas está melhor.
Diante da perspectiva de retração na produção, a remuneração dos produtores da região de Pelotas também deverá cair. Segundo dados da Emater, em uma safra com produção de 60 mil toneladas, a remuneração dos produtores do polo chega a R$ 72 milhões. Neste ano, portanto, deverá ficar em cerca de R$ 42 milhões. De acordo com informações da Emater e do IBGE, a maior parte do cultivo nacional está concentrada em pequenos produtores, mais especificamente nas mãos de 1.041 famílias dos três Estados do Sul – só na região de Pelotas, são 605.
Um dos principais destinos da fruta do Sul é a produção de pêssego em calda. Segundo Paulo Croshemore, um dos fundadores da rede de doces que leva seu sobrenome e se abastece desses pessegueiros, o preço médio pago pelo quilo da fruta para o segmento é R$ 1,25. De acordo com o técnico da Emater, o valor pode variar a depender do tamanho da safra e também da qualidade dos frutos. “Na safra passada, a indústria estava pagando R$ 1 o quilo; agora, o valor pode chegar a R$ 1,30”, disse.
Para atender a demanda dos brasileiros, a importação tornou-se recorrente. Segundo o pesquisador da Embrapa Luiz Clovis Belarmino, como o consumo doméstico médio varia entre 80 milhões e 90 milhões de latas de 1 quilo de pêssego em calda, a produção nacional não é suficiente. “Produzimos cerca de 50 milhões a 60 milhões de latas por ano. O restante importamos basicamente da Argentina”. Para sanar a necessidade da produção de polpa da fruta, importante também para a produção dos sucos, as importação vêm de Argentina e Chile.
Entre os desafios da cadeia produtiva da fruta em 2020, Belarmino aponta a necessidade de elevação da produção de nectarinas, – os pêssegos glabos -, além de melhorar a produtividade. “Nossa média está em 11 toneladas por hectare e há tecnologia para triplicá-la”.
Índice Ceagesp
O Índice Ceagesp, baseado em uma cesta de 150 produtos negociados no entreposto da estatal na capital paulista, caiu 1,16% no ano passado “Com a manutenção dos juros baixos, o setor pôde investir mais e, com isso, aumentar a produção”, informou a Ceagesp. Segundo a empresa, foi esse aumento de oferta o principal fator de pressão sobre os preços. O segmento de legumes registrou queda expressiva ao longo do ano (11,6%), puxada por baixas superiores a 40% de produtos como beterraba, cenoura e berinjela. Mas houve alta do lado das verduras (quase 9%). No segmento de frutas, a variação média foi pequena.
