Produtores querem viabilizar exportações pelo porto de Itaqui

Fonte: Diário de Cuiabá (07 de janeiro de 2020)


Depois de passar quase uma semana participando de eventos, reuniões de trabalho e visitas ao porto de Itaqui, localizado em São Luiz (MA), o presidente do Sindicato Rural de Vila Rica, Anísio Vilela Junqueira Neto, um dos organizadores do grupo, conta que o próximo passo é providenciar a construção de um armazém em seu município. “Precisamos de uma estrutura adequada para armazenar os produtos que serão exportados via Itaqui”, enfatiza.
 
Netão, como é popularmente conhecido, conta que o grupo composto por prefeitos, produtores e presidentes de Sindicatos Rurais do nordeste mato-grossense voltou muito otimista da viagem técnica ao Maranhão. Os mato-grossenses se reuniram com os representantes da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), do Itaqui, em São Luiz (MA) e visitaram o projeto estruturante do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), que transformará o Itaqui no principal porto exportador do Norte e Nordeste do Brasil. O investimento foi de R$ 600 milhões.
 
Com modais ferroviário e rodoviário para receber a produção de grãos, o terminal tem a perspectiva de equilibrar o escoamento da produção agropecuária do País. Sua posição estratégica, localizado próximo aos mercados da Europa, América do Norte e Canal do Panamá, facilitará o acesso ao mercado asiático.
 
A expectativa é de que ainda neste mês de setembro, o porto volte a operar com containeres, o que atende à necessidade de Mato Grosso para exportar grãos especiais e pulses. “Com o retorno da operação dos containeres também podemos exportar a carne”, destaca o segundo vice-presidente do Sistema Famato, Marcos da Rosa. “Isso é de extrema importância para o nosso mercado, porque um dos nossos principais gargalos é exportar nossa produção”, complementa.
 
Além de conhecer o projeto que contempla a infraestrutura do porto do Itaqui, em São Luiz, no Maranhão, para a recepção de grãos, o objetivo dos mato-grossenses também foi mostrar o potencial de exportação do Estado e enfatizar os números da produção da soja, milho, algodão, da carne e até do etanol. Ao todo, o porto pode exportar a produção dos 22 municípios da região nordeste de Mato Grosso.
 
O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Daniel Latorraca, mostrou os dados de Mato Grosso e destacou as oportunidades. Latorraca também fez uma projeção da produção dos principais produtos que poderão ser exportados pelo porto do Itaqui. “Vale ressaltar que é um porto muito estratégico”.
 
De acordo com os dados do Imea, a principal commodity estadual, a soja, tem 9,66 milhões de hectares de área plantada. Destes, 1,60 milhão são cultivados no nordeste do Estado. “A produção desta região é de 5,54 milhões de toneladas e boa parte disso pode ser exportada pelo porto do Itaqui”, destaca Latorraca.
 
Além dos grãos especiais, pulses e carne, o superintendente do Imea também falou sobre a produção e exportação do etanol de milho. “Vamos ter um aumento considerável na produção de etanol e precisamos exportar esse produto e o porto do Itaqui é uma opção”.
 
Para o diretor Vilmondes Tomain, o Tegram vai solucionar boa parte do problema de logística não apenas do País. “O Tegram vem para favorecer os produtores rurais de Mato Grosso e, também, de toda a região Centro-Oeste. O porto do Itaqui vai alavancar o agronegócio brasileiro e destravar os problemas logísticos de Mato Grosso”, ressalta Tomain.
 
O diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, disse que chamou a sua atenção foi a possibilidade de melhoria na logística para a exportação tanto de carne em contêineres refrigerados como animais vivos, principalmente, os oriundos dos municípios do nordeste de Mato Grosso como Vila Rica e os outros 21 municípios dessa.
 
TEGRAM – O início da operação do Tegram representa um marco logístico para o Brasil. Na primeira fase do projeto, estima-se a movimentação de 5 milhões de toneladas de soja, farelo de soja e milho, utilizando um berço de atracação.
 
Já para a segunda fase, a previsão é que sejam movimentadas 10 milhões de toneladas de grãos anuais, provenientes da região conhecida como MATOPIBA, área formada pelos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, além do nordeste de Mato Grosso, leste do Pará, oeste da Bahia e norte de Goiás.
 
Em 2018, o terminal movimentou 6,3 milhões de toneladas. Atualmente, a capacidade operacional do Tegram é de cerca de 7 milhões de toneladas de grãos ao ano.
 
Além de um berço de atracação, a infraestrutura abrange quatro armazéns com capacidade estática de 500 mil toneladas de grãos (125 mil por armazém), um shiploader (equipamento que transfere a carga para os navios), moegas rodoviárias e moega ferroviária. Quando toda a estrutura estiver finalizada, o Tegram deve receber 80% do volume pelo modal ferroviário e 20% pelo rodoviário.
 
O consórcio que administra o Tegram é formado pelas empresas Terminal Corredor Norte (ligada à trading NovaAgri, do grupo japonês Toyota Tsusho), Glencore Serviços (da trading Glencore), Corredor Logística e Infraestrutura (braço de logística do Grupo CGG, que tem ainda uma trading e produção de grãos) e ALZ Terminais Portuários (das tradings Amaggi, Louis Dreyfus e Zen-Noh Grain).