Sopesp completa 25 anos e presidente aponta conquistas e desafios: 'Menos burocracia'

Fonte: G1 Santos e Região (23 de dezembro de 2019)

Presidente do Sopesp, Régis Gilberto Prunzel falou do aniversário da entidade, das conquistas e pontuou os desafios para 2020. — Foto: Divulgação/Roberto Konda


 
O Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) completou 25 anos de atividades neste mês de dezembro. A entidade, que representa o segmento empresarial, foi decisiva em vários momentos históricos do cais santista. Em entrevista ao G1, o presidente do Sopesp, Régis Gilberto Prunzel, falou do aniversário da entidade, das conquistas e pontuou os desafios para 2020.
 
A entidade foi fundada no dia 22 dezembro de 1993. Na época, por causa da Lei 8.630/93, os operadores portuários decidiram criar o sindicato para defender seus direitos e estabelecer diálogos com os trabalhadores portuários, as categorias empresariais, os governantes e todos os envolvidos no projeto de modernização dos portos brasileiros.
 
Em 1994, o Sopesp filiou-se à Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), participando ativamente junto ao Governo Federal, Congresso Nacional, e em todas as Agências Nacionais para defender os interesses do segmento empresarial dos operadores portuários.
 
O Sopesp participou de momentos históricos como, por exemplo, a criação do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) de São Sebastião em 1º de dezembro de 1994 e do Ogmo-Santos, em maio de 1995. No mesmo ano, o Sopesp contribuiu para o início das negociações para acordos de trabalho com todas as categorias de avulsos e os trabalhadores de capatazia da Codesp.
 
Ainda em 1995, o Sopesp passou por uma mudança de gestão e foram criados o Conselho Diretor, o Conselho Fiscal e as Câmaras Setoriais com o objetivo de debater e negociar tanto as convenções como os acordos coletivos com as categorias de trabalhadores do porto.
 
Nestes 25 anos, o Sopesp também teve participação direta na implantação do Porto 24 horas, na divisão das categorias portuárias em avulsos e vinculados; a aplicação de 11 horas de descanso entre jornadas trabalhadas; a implantação do meio eletrônico para a escala de trabalho, entre outros.
 
O atual presidente do Sopesp, Régis Gilberto Prunzel, diz que é de extrema importância se ter um elo entre o setor portuário empresarial, os trabalhadores e a comunidade. “Desde que o órgão foi criado, ele tem atuado como atividade patronal, que faz a negociação entre os operadores portuários e os trabalhadores portuários, das mais diversas categorias. O Sopesp centraliza essas negociações entre os operadores e os sindicatos”
 
Sempre presente em debates, fóruns e reuniões para tomada de decisões, a entidade também faz a ligação entre as autoridades e os empresários do setor portuário, driblando burocracias e criando diálogo.
 
“Temos um papel de protagonismo porque o Sopesp está sempre presente com a autoridade portuária, com a autoridade aduaneira, Vigilância Sanitária e Ministério da Agricultura. O Sopesp busca celeridade nos processos, sugerir iniciativas, sugerir alternativas para os órgãos reguladores, autoridade portuária e todos os elos que se envolvem no comercio exterior e que fazem frente ao trabalho de uso de terminais”, fala Prunzel.
 
Mais recentemente, o Sopesp apresentou o Projeto Santos 17, objetivando aumentar para 17 metros a profundidade do canal de navegação do Porto e propôs ao Governo Federal a gestão direta desses trabalhos.
 
“Esse continua sendo um sonho. Estamos trabalhando junto com a Autoridade Portuária para aprofundar e para nós termos a possibilidade de Santos receber navios de maior porte de todos os segmentos de carga geral, de contêiner, líquido, granel, enfim, para que a gente não tenha restrições de manobras”, disse o presidente.
 
Segundo ele, não é uma obra fácil de ser realizada, já que envolve questões regulatórias, ambientais e muitos recursos. “Estamos em conjunto com a autoridade portuária e com o governo federal tratando algumas alternativas para aprofundar. O Sopesp apoia qualquer tipo de melhoria de calado, de aprofundamento e o Sopesp é parceiro tanto da autoridade portuária como do Ministério da Infraestrutura”.
 

Conquistas e desafios
Fazendo uma análise dos 25 anos da entidade, o presidente diz que o maior reconhecimento é a confiança que os empresários depositam na atividade portuária e no Sopesp, como representante deles. “Os investimentos que continuam sendo feitos pelos associados dos Sopesp, essas continuam sendo as maiores conquistas que a gente pode apresentar”, diz ele.
 
Já para 2020, ele sabe que terá novos desafios a enfrentar na função de representar o segmento empresarial que atua no maior porto do país. Uma das maiores dificuldades, segundo Pruzel, são as questões regulatórias e a burocracia, que ainda está presente nos complexos portuários e que acabam por limitar o desenvolvimento do setor.
 
“Muito se fala de avanços tecnológicos, de menos amarras burocráticas, regulatórias. Ter operações de carga e descarga cada vez mais ágeis. A questão regulatória tem que avançar na mesma velocidade. Esse é o grande desafio. A questão de a gente chegar em um momento onde seja cada vez mais eficiente, para termos cada vez mais movimentação nos nossos portos” diz ele.
 
Segundo Pruzel, para se manter e avançar no comércio exterior, cada vez mais competitivo, é preciso aliar menos burocracia e mais velocidade nas operações em porto recebendo vagões, caminhões ou embarcando navios, além de acreditar na tecnologia para isso. “Isso é importante para que a gente cada vez mais consiga fazer com que o país e os portos brasileiros estejam na frente. É o que vamos focar bastante e é um dos desafios para o Sopesp”, finaliza.
 

presidente do Sopesp, Régis Gilberto Prunzel falou do aniversário da entidade, das conquistas e pontuou os desafios para 2020. — Foto: Divulgação/Roberto Konda