Circo Rudá, inova em espetáculo com temática do porto

Fonte: G1 (17 de outubro de 2019)

Gustavo Lobo, Diretor Fundador do Circo Instituto Rudá Clique aqui para assistir


Quando fala-se em “Economia Criativa,” ainda é um assunto pouco conhecido para quem não atua diretamente no setor, segundo o SEBRAE, “é o conjunto de negócios baseados no capital intelectual, cultural e na criatividade que gera valor econômico”. A indústria criativa estimula a geração de renda, cria empregos e produz receitas de exportação, enquanto promove a diversidade cultural e o desenvolvimento humano.
 
Para o empreendedor Gustavo Lobo Fonte, que está ativamente na indústria cultural, o Brasil ainda precisa evoluir muito neste setor, ainda há muitas barreiras, preconceitos, falta de conhecimento da população e dos empresários de muitos setores, sobre quanto o ativo cultural impacta economicamente nos negócios da indústria tradicional e do comércio para o consumidor final, e mais ainda sobre a falta de investimento e apoio. Estamos avançando mas como sempre bem devagar comparado com países de primeiro mundo.
 

“Morei quatro anos no Canadá fazendo parte da Companhia Cirque Du Soleil, rodei o mundo e sei bem como estes países lidam com o investimento no fator da indústria cultural, aqui ainda somos meio provincianos neste aspecto, mas sou bastante positivo, e acredito que isto possa mudar, quando fundei o Instituto Circo escola Companhia Rudá, o fiz pensando em levar para fora o que há de melhor no Brasil, mostrar o nosso talento genuinamente Brasileiro”.

 

Apresentações do Espetáculo “Um sonho Real” — Foto: Divulgação Acervo pessoal do Circo Rudá


Em 2012 estreou o espetáculo “Um sonhos real”, no teatro Coliseu, que teve a criação e direção do próprio Gustavo Lobo, mas a companhia circense só foi fundada em 2015 na cidade de Santos-SP, e já passou por 11 estados e 34 cidades brasileiras, reunindo 77 mil espectadores em 150 apresentações e a atração esteve de volta ao Teatro Coliseu, em outubro no mês das crianças.
 
 
O mais recente sucesso da companhia, foi o espetáculo “Marabá”, criado em homenagem a cidade de Santos e aos trabalhadores da estiva do Porto, contando uma linda história, que nos remete voltar no tempo da colonização europeia com a miscigenação indígena, também faz viajar para os tempos áureos da exportação do café através do Porto.

Apresentações do Espetáculo “Marabá” — Foto: Divulgação jornalista Rosa Santos/Original MKT


 
Gustavo presenteia o público com um espetáculo digno de grandes plateias, numa produção de dramaturgia que mistura romance, comédia e ação, o picadeiro de acrobacias mistura história, música, dança, Ballet e muita alegria, tudo com movimentos de alta performance atlética e artística. Marabá conta ainda com concepção artística e de figurino de Leandro Vieira, carnavalesco da escola de samba Mangueira do Rio de Janeiro, e roteiro da diretora de teatro santista Neyde Veneziano.
 
Um campeão determinado
Gustavo, que foi ginasta olímpico, trouxe para o Brasil a primeira medalha de ouro no salto sobre cavalo, no Mundial da Juventude de Moscou na Rússia em 1998. Logo foi visto pela companhia circense mais conhecida no mundo a “Cirque Du Soleil”, em 2003 na companhia e atuou nos espetáculos “Corteo” e “Lá Nouba”, nesta trajetória ficou quase 12 anos fora do Brasil e trabalhou em várias outras companhias renomadas na Europa como o “Circo Eloize”.
 

Espetáculo Marabá setembro 2019, lona montada na Praia de São Vicente, artistas André Sabatino e Mariana Maekawa (Casal que interpreta as personagens Europeu e a Índia darão a luz a Marabá) — Foto: Divulgação jornalista Rosa Santos/Original MKT


Foi quando a saudade do Brasil e da família falou mais forte e Gustavo largou tudo para retornar, juntou toda a sua experiência e com muito trabalho, disciplina e organização fundou o Circo Rudá, organização esta que pode ser claramente vista para quem foi prestigiar o espetáculo, se deparou com profissionais qualificados em todos os setores desde a recepção até a alta direção.
 
Para uma companhia Jovem, Gustavo segue à risca com sua equipe o caminho correto da gestão, pois muitos empresários que foram artistas, não costumam levar a sério este aspecto quando deixam de ser artistas para virarem empresários do ramo da indústria cultural, e este é um dos maiores motivos de insucesso de acordo com o SEBRAE. O Circo Rudá emprega hoje 100 pessoas, sendo 35 profissionais efetivos e os demais indiretos conforme as temporadas de espetáculos. Gustavo que conseguiu com muito esforço reunir e formar um time de qualidade, mas comenta sobre as dificuldades com a mão de obra nacional.
 

“Sofremos dois problemas: Um quando encontramos pessoas qualificadas, perdemos nossos talentos para fora do Brasil, não conseguimos remunerar bem o nosso artista, a falta de incentivo é grande e a conta não fecha!”

 
A exemplo disto, assim que encerrou temporada de São Vicente, a artista que foi a protagonista do Marabá (Mariana Maekawa), recebeu uma proposta do Cirque Du Soleil de Montreal Canadá, e embarcou no dia 10 de outubro, informou a assessoria do Circo Rudá. Isto mostra que o os países que valorizam a cultura e arte, ficam de olho nos nossos talentos e os remunera muito melhor, pois o modelo mental de incentivo a Economia Criativa é de grande nível.
 

No Centro de Treinamento do Instituto Rudá, acima os artistas Lucas Lopes, Hugo Giampietro e José Mothi, abaixo Eder cunha, Plínio Augusto e a jornalista Vanessa Rajomes em visita ao CT. — Foto: Divulgação Agnes Souza Grupo Vapalu


O outro é a dificuldade comportamental relativos a disciplina e organização, algo levado muito a sério pelos profissionais dos países de primeiro mundo. Ele abre os números e chega a mencionar que por causa disto um projeto que é feito para durar 5 dias com um custo X, acaba virando 7 dias com custo Y e isto tem um impacto gigantesco no orçamento ao final da temporada.
 
Num paradoxo, o escritor Augusto Sarvam, fez um texto de dramaturgia há 18 anos atrás, que retrata esta temática a falta de “disciplina e organização”, um tema tão discutido nas empresas recorrente nos dias de hoje, “Dum o pequeno aprendiz em Busca da Magia”, uma história infantil que será transformada em livro, a previsão é para lançamento ainda este ano. A narrativa faz lembrar muito a história de vida de Gustavo Lobo que complementa:
 
“É um fator cultural, que precisa ser mudado para sermos respeitado lá fora, pois o brasileiro tem muitas qualidades é um povo criativo e trabalhador, mas neste aspecto do comprometimento ainda precisa-se avançar”.
 
Novos Rumos
Gustavo segue investindo e acreditando em novas parcerias no Brasil, para prosseguir com o espetáculo para outros estados e cidades, e já sonha em levar “Marabá” para Portugal em 2021. Até dezembro o espetáculo está sendo financiado pela lei federal de incentivo à cultura, antiga Rouanet, e teve o aporte da Caixa Seguradora como Patrocinador Master. Levar a arte circense com um tema genuinamente brasileiro para o mundo, é a meta deste jovem empreendedor que veio de família simples do Porto de Santos e nos mostra que sonhar e realizar é sempre possível, mesmo diante de todas as dificuldades enfrentadas nos aspectos políticos e econômicos do Brasil.