Conectividade muda os rumos dos negócios com caminhões
Fonte: Valor Econômico (15 de outubro de 2019)
Há poucos dias, o grupo Volvo atingiu a marca de um milhão de veículos conectados em todo o mundo. Isso inclui caminhões, ônibus e equipamentos para construção. A conectividade em veículos comerciais tem crescido e seu uso vai muito além do que nos automóveis. Trata-se de uma nova ferramenta para manutenção e gastos com combustível. Além disso, conhecer os hábitos do motorista já começa a ajudar a indústria a desenvolver os futuros veículos.
Do total de veículos Volvo conectados, 80 mil estão na América do Sul. Para o presidente mundial da companhia, Martin Lundstedt, o brasileiro mostra grande interesse pela conectividade. A cada dia surge um novo uso para o banco de dados que vai crescendo. “Com essas informações é possível melhorar produtividade e aumentar o tempo de atividade, além de reduzir emissões e melhorar a segurança”, destaca o executivo.
“Com a conectividade embutida nos novos caminhões, o transportador consegue monitorar a manutenção, com a possibilidade até de programar o momento exato da parada do veículo para uma troca de peça, por exemplo”, afirma o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes.
Para o dirigente, tecnologias como essa tendem a determinar a decisão de compra de um novo veículo. Todas as montadoras apresentam novidades nessa linha no 22º Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga (Fenatran), aberto ao público ontem, em São Paulo. A Anfavea calcula que os negócios gerados a partir dos contatos com clientes visitantes, durante a feira, que termina no domingo, vão ultrapassar os R$ 40 bilhões obtidos na última edição da Fenatran, em 2017.
No caso da Volvo, na Europa, os novos ônibus da marca já utilizam um sistema que, com base nos dados coletados, permite que o veículo automaticamente cumpra regras de trânsito, como escapar de áreas com restrição ao tráfego e obedecer limites de velocidade.
Para Lundstedt, no caso brasileiro, a conectividade ajudará a indústria a colher informações ainda mais variadas. “Trata-se de um país de longas distâncias, com diferentes temperaturas simultaneamente, variadas altitudes e com uma série de diferentes condições de rodovias”, afirma. Segundo o executivo, na Europa, o armazenamento de dados ajudará também no desenvolvimento dos veículos elétricos.
A Scania também tem feito experiências nesse campo. “Os dados nos ajudarão a desenvolver o veículo certo para cada cliente e poderemos oferecer, ainda, serviços que ajudem a reduzir o consumo e a otimizar rotas”, afirma o chefe mundial da área comercial da Scania, Mathias Carlbaum.
Iniciativas como essa fazem com que as vendas de caminhões e ônibus assumam cada vez mais o papel de serviço e não propriamente de um produto. “A visão de negócio é o que importa para o cliente”, destaca Moraes.
Segundo o dirigente, o transportador cada vez mais percebe que a tecnologia embutida em itens de segurança, por exemplo, não apenas reduz acidentes como diminui custos.
Moraes destaca que as mudanças de hábitos de consumo também têm se refletido nos veículos comerciais. É o caso das compras on-line. “Cada vez mais haverá necessidade de vans seguras para a entrega das encomendas”, afirma.