França vai proibir importação de frutas e legumes tratados com pesticida tiaclopride
Fonte: Globo Rural (02 de fevereiro de 2024)
Por outro lado, a França recuou no plano de redução de uso de agrotóxicos dentro do país
O primeiro-ministro Gabriel Attal disse nesta quinta-feira (1/2), em coletiva de imprensa, que quer impedir a importação pela França de frutas e vegetais tratados com o pesticida tiaclopride, que é comum em inseticidas foliares usados em cultivos como o algodão e batata.
O produto é permitido no Brasil e, no passado, em alguns países europeus. No entanto, com o Pacto Verde, a Comissão Europeia informou que não renovaria a permissão para o uso de tiaclopride desenvolvido pela Bayer para combater pragas em lavouras.
Por outro lado, o governo vai “pausar” o plano Ecophyto – que rege as regras de utilização de agrotóxicos e tem o objetivo de reduzir os pesticidas nas lavouras europeias – para conter “a raiva” dos produtores rurais franceses, que estão realizando protestos há vários dias.
Segundo o ministro da Agricultura, Marc Fesneau, é necessário uma “política de renovação” com medidas fiscais para controlar produtos que não sejam de origem francesa e não respeitem as regras ambientais da União Europeia.
“Vamos, portanto, retrabalhar o plano Ecophyto, suspendendo-o, enquanto reelaboramos um certo número de artigos para simplificarmos o documento”, declarou Fesneau durante a coletiva.
A importação de cereais da Ucrânia está em jogo e, no caso do Brasil, as exportações de produtos brasileiros ainda não seria afetada no comércio bilateral.
Enquanto os protestos continuam, Attal reiterou que o governo da França quer atingir 50% de produtos sustentáveis e 20% de orgânicos nas prateleiras de supermercado, sem, por exemplo, carne sintética. Para isso, medidas políticas serão tomadas para assegurar a rotulagem dos produtos europeus.
Uma das ações imediatas será a fiscalização das grandes redes de supermercado nos próximos dias, como afirmou o ministro da Economia, Bruno Le Maire. Para ele, o controle demonstra o apoio do governo às reivindicações dos agricultores e indice sobre o cumprimento da lei Egalim, que visa proteger a remuneração dos agricultores na França.
Recursos para produtores
O governo francês anunciou nesta quinta-feira um pacote de 150 milhões de euros destinado aos agricultores. Attal defendeu que os recursos são uma forma de “proteger”, garantindo “reciprocidade e mesmas condições para os agricultores franceses”. A fala tem relação direta com a reivindicação dos manifestantes em ter uma competitividade mais justa com produtos agrícolas estrangeiros.
No entanto, os protestos continuam. Em algumas cidades, como Avegnon, houve acampamento na frente da empresa Lactalis e na região metropolitana da capital francesa, em Rugins, onde ficam os maiores centros de distribuição de alimentos do país, mais de 70 manifestantes foram presos ao tentar invadir um deles.
Segundo informou a rádio francesa RFI, os agricultores no local alegaram que os centros de distribuição são co-responsáveis por “derrubar” os preços dos alimentos, porque teriam alianças com grupos Europeus para negociar com grandes indústrias, como a Mondelez.