Setor da infraestrutura aposta em iniciativas de ESG

Fonte: ABFP (04 de dezembro de 2023)

Empresas já adotam ações que contemplam questões relacionadas à sustentabilidade

Foto: SOPESP

É possível conciliar a questão da dignidade humana com o desenvolvimento? O questionamento foi feito pelo desembargador Audaliphal Hildebrando da Silva, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª. região, nesta quinta-feira, 30, durante o II Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho, em Foz do Iguaçu.

O desembargador fez a mediação do painel intitulado ESG nas Relações de Trabalho no Setor da Infraestrutura. “Nosso objetivo é constituir uma sociedade livre e igualitária. E as empresas têm responsabilidade nisso”, diz Hildebrando.

O painel teve como expositores o Dr. Ricardo Molitzas, Presidente do Instituto Brasil Logística (IBL), Dr. Diego de Paula, Gerente Jurídico e de Conformidade (PORTONAVE) – Terminais Portuários de Navegantes, Dr. Flavio da Rocha Costa – Diretor de Logística da (ELDORADO) e Dr. Fabricio Julião, do Centro de Estudos Brasil Export. 

Na sua explanação, Ricardo Molitzas explicou o conceito de ESG reforçando o elo com a sustentabilidade. Sigla em inglês, ESG tem relação com ambiente, social e governança corporativa.

Ele ressaltou que as agências reguladoras têm desempenhado importante papel para o setor de infraestrutura e tendem a adotar boas práticas de ESG. Uma ação relacionada a ESG colocada em prática foi a instituição de escala eletrônica para os trabalhadores no Porto de Santos, durante a pandemia.

Diego de Paula, da Portonave, terminal privado localizado em Navegantes (SC), apresentou diversos programas da companhia na área da ESG. Um dos programas chamado Porto para Elas ofereceu aulas teóricas e com simuladores para qualificar mulheres com a finalidade de trabalhar na empresa.

Um total de 700 candidatas se inscreveram e as melhores colocadas foram chamadas para ocupar vagas. Como a maioria das desistentes foram mulheres negras e de baixa renda, a empresa fez uma segunda edição do programa e convidou quem não conseguiu terminar o treinamento.

Outros programas ofertados pela empresa foram de Autodefesa das Mulheres, Apoio a Maternidade e Inclusão de Pessoas com Deficiência. Com isso, desde o ano passado o número de mulheres que trabalham na companhia cresceu 13% e a empresa recebeu 6 prêmios pelas iniciativas.

Diretor de Logística da Eldorado, com sede em Três Lagoas (MS), Flavio da Rocha Costa também mostrou várias iniciativas da empresa no campo da ESG e disse que companhia segue 17 itens do pacto global da ONU.  “Já alcançamos o patamar do que é a meta dos nossos concorrentes. Hoje a empresa está à frente de atingir as metas autossustentáveis”.

Entre as ações colocadas em prática estão o monitoramento de animais silvestres, produção de celulose com utilização da água de rio que depois é limpa e devolvida e um projeto chamado PAIS – Produção Agroecológica Integrada de Autossustentável. Nessa iniciativa, a empresa capacita moradores de comunidades para plantar e depois compra a produção. Cada família que adere ao projeto ganha cerca de R$ 2.500 ao mês.

Ele criticou a legislação brasileira que permite apenas o uso de 3 megawatts por CNPJ em fazendas de painéis solares. “Na medida que você tem no Brasil 3 megawatts por CNPJ não há incentivo para que empresas tenham painéis solares”, afirma.

Entre os programas em estudo na empresa está a contratação de autistas, que tem capacidade de hiperfoco, no setor de operações. “Esse trabalho está sendo desenvolvido na Brasil Export e há expectativa de contribuir para o setor”.