Suzano teve melhor ano de sua história em 2022, diz presidente

Fonte: Valor Econômico (01 de março de 2023)

Maior produtora mundial de celulose de mercado, a Suzano registrou em 2022 o melhor ano de sua história, com geração de caixa expressiva suportada por câmbio e preços elevados da celulose, disse nessa terça-feira (28), ao Valor, o presidente da companhia, Walter Schalka. Segundo ele, esses fatores mais do compensaram o aumento de custo com commodities.

 

Além do forte desempenho operacional e financeiro, observou o executivo, a Suzano teve conquistas importantes na área ambiental, tem projetos relevantes em curso e tornou mais competitiva sua base florestal, entre outros avanços. “A companhia tem feito investimentos expressivos, com um plano de R$ 18,5 bilhões para 2023”, afirmou.

 

Sobre a Kimberly-Clark
Nesse orçamento, estão incluídos os desembolsos com o Projeto Cerrado, que compreende a maior linha única de celulose do mundo e em novos negócios (como celulose microfibrilada), além de investimentos em manutenção e projetos de melhoria de competitividade. A Suzano aguarda ainda o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para concretizar a compra dos ativos de tissue da Kimberly-Clark no Brasil.

 

Conforme o executivo, embora a companhia esteja tocando um projeto do porte de Cerrado, neste momento o empreendimento preocupa menos do que custos e inflação. “Essa é a principal questão, saber quanto do custo hoje é conjuntural e quanto é estrutural. E com algum evento geopolítico mais relevante, que afete a demanda no mundo”, afirmou, acrescentando que o risco de o mundo entrar em recessão por causa dos níveis elevados de inflação e juros também é um ponto de atenção.

 

Junto com os resultados de 2022, a Suzano atualizou as projeções para o custo operacional total da celulose que produz e comercializa até 2027. A companhia esperava chegar a R$ 1,5 mil por tonelada no longo prazo, mas, diante da onda inflacionária recente, elevou a expectativa para R$ 1,75 mil por tonelada.

 

“A boa notícia é que vai ser R$ 270 abaixo do que é hoje”, disse o diretor de Finanças, Relações com Investidores e Jurídico da Suzano, Marcelo Bacci.

 

Em 2022, o aumento do custo caixa chegou a 28% em meio ao aumento de custo das commodities, e o desembolso operacional total da companhia chegou a R$ 2.022 por tonelada de celulose.

 

Concorrência global
Mesmo com a revisão, que leva a um custo total em dólares de US$ 336 por tonelada, uma alta de US$ 47 por tonelada, a Suzano segue bem mais competitiva que suas pares globais. Na indústria, o aumento de custos tem variado de US$ 50 a US$ 100 por tonelada, o que leva o custo marginal para níveis de US$ 600 por tonelada atualmente.

 

Segundo Bacci, o projeto Cerrado, que tem custo de produção ainda mais baixo do que o atual da companhia, iniciativas de produtividade e alguma normalização dos preços das commodities contribuirão para que a Suzano seja menos afetada por essas pressões externas.

 

Esse aumento generalizado de custos na indústria contribui para estabelecer um novo suporte aos preços internacionais da celulose, mas não está claro até que ponto irá a correção iniciada em dezembro, afirmou Schalka.

 

“Difícil saber em que preço a celulose vai chegar em 2023, mas temos uma percepção um pouco mais benigna do mercado”, comentou o executivo.

 

China de volta às compras
Segundo ele, a China voltou às compras em ritmo “bastante positivo” e, na Europa e nos Estados Unidos, o mercado de tissue segue crescendo. Há algum enfraquecimento no mercado de imprimir e escrever europeu, mas a demanda de celulose, no geral, está sadia, acrescentou.

 

Já o mercado de papel, tanto internacional quanto doméstico, caminha para ser mais fraco neste ano, uma vez que a inflação tem impacto no consumo.