O que a China comprou do agro do Brasil por US$ 50,8 bi

Fonte: Forbes (23 de janeiro de 2023)

Porto de Lianyungang, província de Jiangsu, no leste da China, desembarca produtos do Brasil. Imagem: Gettyimages

 

A China importou do Brasil US$ 58,8 bilhões (R$ 306 bilhões na cotação atual) em produtos do agronegócio em 2022. O valor é 43,3% superior a 2021 e praticamente o dobro do desempenho registrado há cinco anos. No papel de maior parceiro comercial do país, o valor embarcado para China representa 31,9% do total exportado pelo agro de US$ 159 bilhões, segundo dados do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

 

Cinco setores do agro faturaram acima de US$ 1 bilhão em 2022. Os produtos do chamado complexo soja, carnes, produtos florestais, complexo sucroalcooleiro e fibras e produtos têxteis dominam a pauta. Foram US$ 48,915 bilhões, equivalente a 83,2% do tota embarcado.Há alguns fatores que determinam a voracidade chinesa pelo grão. Entre elas estão a demanda para movimentar a indústria de ração animal, principalmente a criação de suínos; a estratégia do país asiático em manter robustos estoques e a decisão de cultivar milho nas terras agricultáveis como primeira opção. Em 2022, as importações totais da China somaram 91,08 milhões de toneladas de soja, uma queda de 5,6% causada pelos altos preços globais da commodity.

 

O país asiático mudou a configuração global do mercado de alimentos nas últimas duas décadas e a estimativa é se manter nos próximos anos. Essa configuração tem como base uma população de 1,4 bilhão de habitantes e um desafio gigante de tirar da pobreza 200 milhões de pessoas. Por outro lado, a China possui uma classe média crescente e ávida por consumir alimentos mais elaborados e processados, da ordem de 300 milhões de pessoas. Embora o Banco Mundial e outras instituições apontem que a população do país tende a diminuir nos próximos anos, baixando para 1,35 bilhão até 2050, ainda assim haverá demandas diversas.

 

Além dos cinco setores de destaque, o Brasil também embarca outros produtos, como cacau, café, cereais, sucos, ração animal, óleos, chá, entre outros. Desse grupo, os mais representativos embarques são de café e suco. Do grão foram US$ 86,2 milhões para 21,7 mil toneladas. Os sucos, basicamente o de laranja, renderam US$ 95,1 milhões.

 

Dois movimentos devem chamar a atenção em 2023, do qual o agro do Brasil deve se beneficiar. No início de janeiro, o Banco Mundial reduziu a previsão de crescimento para este ano, quase encostando em um quadro de recessão, confirmado pelos ânimos dos empresários durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na semana passada, entre 16 e 20. Por outro lado, há oportunidades para países exportadores de alimentos. E meados do ano passado, a China começou a liberar a entrada de milho brasileiro, fechando dezembro com  com 1,165 milhão de toneladas  embarcadas em 2022. Pode ser mais. Vale lembrar que a China é o maior comprador mundial de milho. A estimativa é de que na safra 2022/23, os chineses comprem 18 milhões de toneladas do cereal.