Algodão egípcio passará a ter fibra colhida no Brasil
Fonte: Valor Econômico (20 de janeiro de 2023)

Lavoura de algodão em Campo Verde (MT). Fernanda Pressinott / Valor
O Egito começará a importar algodão brasileiro em pluma de fibra média e qualidade superior, disse ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Ele fez o anúncio na tarde desta quarta-feira, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.
Segundo material distribuído pelo Planalto, as negociações para a abertura do mercado egípcio ao Brasil começaram em 2006 e se intensificaram em 2020. Atualmente, o Egito importa 120 mil toneladas de algodão em pluma e tem Grécia, Burkina Faso, Benin e Sudão como seus principais fornecedores.
O governo afirma que o Brasil tem potencial para atender entre 20% e 25% da demanda egípcia. A melhor “janela de oportunidade” para o produto brasileiro é o período julho e setembro, uma vez que as exportações gregas começam a fluir a partir de outubro.
Em conversa com jornalistas, Fávaro equivocou-se ao dizer que o Brasil exportará o algodão de fibra longa. O Brasil produz a pluma de fibra média, que pode ser usada em um blend com o produto de fibra longa e extralonga produzido no Egito.
A recente inauguração de um parque têxtil no Egito aumentou a demanda pela matéria-prima no país.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Alexandre Schenkel, disse que o Brasil deverá ter condições de suprir cerca de 20% da demanda egípcia nos próximos dois anos. Segundo Schenkel, a presença da pluma brasileira nesse mercado dá ainda mais credibilidade à qualidade e sustentabilidade do produto nacional.
A abertura do mercado egípcio para o algodão brasileiro é positiva, mas não deverá ter um grande impacto no mercado, avalia Pery Pedro, consultor da StoneX, já que a demanda do Egito é proporcionalmente pequena. “O Paquistão, também do mundo árabe, importa 1,2 milhão de toneladas”, diz.