Brasil será o maior produtor e exportador de algodão em dez anos, prevê ministro
Fonte: Valor Econômico (17 de agosto de 2022)
O ministro da Agricultura, Marcos Montes, afirmou nesta terça-feira que o Brasil será o maior produtor e exportador mundial de algodão em dez anos. A expectativa é que o país consiga vender ao exterior cerca de 4 milhões de toneladas da pluma por safra.
Segundo Montes, as aberturas de mercado e a certificação oficial do algodão brasileiro fortalecem o cenário otimista até 2030. Na semana passada, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e o Ministério da Agricultura entregaram as primeiras habilitações para a certificação de conformidade.
“As ações que estamos fazendo no ministério, em parceria com o setor privado, estão antecipando o projeto do autocontrole. Isso facilita a abertura de mercados lá fora”, disse Montes em entrevista no Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), organizado pela Abrapa em Salvador (BA).
As certificações foram entregues às algodoeiras da Fazenda Pamplona, do Grupo SLC Agrícola, e da GM, do Grupo Moresco — ambas em Goiás —, ao laboratório de HVI do Estado de Goiás e ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) em Brasília.
De olho na China
O plano da Abrapa é que a próxima safra de algodão chegue aos compradores no exterior já com o aval técnico de conformidade do governo brasileiro — o que “faz toda a diferença”, segundo o presidente da entidade, Júlio Cézar Busato. “Principalmente na China, os compradores querem esse aval, como têm os americanos”.
“É um passo gigante. Antes chegávamos na China e não tínhamos garantia de rastreabilidade, e os americanos têm essa garantia do USDA. Na próxima safra [2022/23], vamos estar nos igualando aos americanos nessa condição”, pontuou.
Atualmente, o Brasil é o segundo maior exportador de algodão do mundo, com 20% dos embarques totais. O algodão brasileiro chega a nove países, e cerca de 98% do volume vai8 para a Ásia, onde a Abrapa mantém um escritório para impulsionar os negócios.
Segundo o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Miguel Fausa, o país deverá exportar entre 1,6 milhão e 1,7 milhão de toneladas na safra 2021/22, embora a alta de fretes rodoviários e a escassez de navios e contêineres preocupem.
Para ser o maior produtor, o caminho é mais longo, mas “perfeitamente viável”, disse Busato. Atualmente, Índia, China e EUA lideram esse ranking. A expansão da área plantada, segundo ele, deverá ocorrer em Mato Grosso, Maranhão, Piauí e Goiás. Os produtores desses Estados cultivam 13 milhões de hectares de soja e apenas 1,3 milhão de hectares de algodão na segunda safra, período no qual a preferência é pelo milho.
Melhora de imagem
O ministro Marcos Montes disse, ainda, que o algodão, com os projetos de certificação e rastreabilidade, é o “carro-chefe” do agronegócio brasileiro na busca de uma melhor imagem do setor no exterior. “O algodão abre caminho para que outros produtos sejam vistos com a verdadeira imagem que deveriam ser vistos lá fora. Hoje, os produtos brasileiros ainda são encarados muito mais pela competitividade do que pela sustentabilidade”.
