Câmara de Comércio pede mais ação coordenada do G-20 para controlar pandemia
Fonte: Valor Econômico (07 de julho de 2021)
A Câmara de Comércio Internacional (ICC), representante institucional de mais de 45 milhões de empresas globalmente, alertou nesta quarta-feira que as maiores economias do mundo, que formam o G-20, correm o risco de impor grandes custos para a economia global se não houver uma mudança radical na gestão da pandemia da covid-19. Também chama atenção para a situação fiscal nos países emergentes.
Os ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-20 vão se reunir em Veneza (Itália) a partir da sexta-feira. Será o primeiro encontro presencial depois de muito tempo. O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, decidiu participar ainda de forma virtual. China e Austrália também planejavam não se deslocar à Itália ainda, em meio da pandemia, e igualmente ter participação virtual.
Antecedendo esse encontro, o secretário-geral da ICC, John W.H. Denton, divulgou nesta quarta comunicado afirmando que “os ministros das finanças das economias mais ricas do mundo estão fazendo uma grande aposta com suas fortunas econômicas domésticas se não tomarem medidas concertadas para vacinar o mundo”.
Observou que, como a demanda se recupera em muitas economias ocidentais, já se está vendo “uma penúria prejudicial de oferta em muitos setores importantes, atrofiando o crescimento e alimentando um pico preocupante na inflação interna”.
Para a ICC, a única maneira de qualquer governo garantir uma recuperação econômica duradoura da crise da covid-19 “é investir em um grande esforço de colaboração para vacinar o mundo”. “O argumento comercial para o investimento necessário para fazer isso é cristalino.”
A avaliação da instituição do empresariado é de que a promessa do G-7, reunindo as maiores economias industrializadas, de fornecer 1 bilhão de doses de vacinas às economias em desenvolvimento nos próximos dois anos ainda é muito insuficiente para tirar o peso do vírus sobre a economia global.
Para a ICC, o G-20 precisa estabelecer um plano de ação abrangente para permitir que os mercados emergentes se recuperem dos efeitos da pandemia, com mais liquidez no curto prazo e alívio da dívida a longo prazo.
“A posição fiscal de muitos governos de mercados emergentes continua sendo uma preocupação de primeira ordem para os negócios globais”, diz Denton no comunicado. Considera vital que o G-20 assegure que a nova emissão de Direitos Especiais de Saques (DES) seja concluída em agosto no Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Continuamos firmemente convencidos de que isso deve incorporar um mecanismo transparente que permita às economias avançadas realocar seus direitos de saque aos países necessitados, caso contrário corremos o risco de não ser mais do que uma gota no oceano em comparação com suas necessidades fiscais genuínas”, afirma.
A ICC manifesta preocupação com o risco de uma – potencialmente contagiosa – crise de títulos de mercado emergentes. “Estamos profundamente preocupados com o efeito potencial de um possível aperto da política monetária dos EUA sobre a posição fiscal dos soberanos dos mercados emergentes com dívida denominada em dólar, incluindo uma gama de países de renda média que atualmente não se qualificam para os programas de alívio da dívida do G-20’’, acrescenta.
A entidade pede uma “ação preventiva” sobre a dívida por parte das maiores economias do mundo para “estabelecer as bases para uma recuperação duradoura da pandemia nos próximos anos”.
