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Guerra afeta exportação marítima de minério da Ucrânia


Fonte: Valor Econômico (9 de maio de 2022 )

O mercado mundial de minério de ferro, com forte dependência da demanda das usinas de aço da China, teve impacto menor, até o momento, no suprimento oriundo da Ucrânia. O país, no entanto, sofre restrições logísticas. A avaliação é da consultoria ucraniana GMK Center, especializada em informações de mineração e siderurgia.

 

A Ucrânia, quarto maior exportador global de minério ferro (finos e pelotas), está sob ataque da Rússia desde 25 de fevereiro. O país é também grande exportador de ferro-gusa, aço semi-acabado e laminado a quente e aços longos.

 

Segundo a GMK, com base em informações disponíveis até o fim de abril, minas de ferro locais não haviam sido atingidas durante os ataques russos, embora o volume de produção e exportação tenha se retraído devido ao fechamento de portos.

 

Conforme a consultoria, a produção diminuiu 50% e as exportações, 30%. Usualmente, 60% das exportações ucranianas de ferro são despachadas por navios, enquanto 40% são enviados por via férrea para a Europa. Esta última opção ainda se encontrava em operação. As mineradoras podem, inclusive, elevar os embarques ferroviários, mas o gargalo está na ponta dos países receptores. Avalia-se que isso pode ser resolvido em 2023.

 

A queda nas exportações de minério de ferro é estimada em 1 milhão de toneladas mensais, sendo 500 mil toneladas de pelotas de ferro e 500 mil toneladas material tipo finos. O problema tem sido exportar para China, responsável por 43% dos despachos do produto ucraniano no ano passado. Países da União Europeia são destino de 46%.

 

Em 2021, a Ucrânia produziu 79 milhões de toneladas de minério de ferro (finos e pelotas) e exportou 44 milhões, das quais 78% oriundos de Kryvyi Rih – conhecida como “a capital do minério de ferro”. Está localizada a cerca de 80 km da zona de conflito. Portanto, o risco de alteração da situação é bastante considerável, observa a consultoria.

 

A mineração de ferro no país tem quatro grandes empresas produtoras – Metinvest (37%), Southern GOK (17%), ArcelorMittal (Kryvyi Rih, com 15%) e Ferrexpo (14%). Outros respondem por 17%.

 

Na avaliação da GMK, dado o dano mínimo ao minério de ferro e ativos portuários, as exportações de finos e pelotas podem se normalizar dentro de três a seis meses em caso de paz, enquanto os portos podem retomar as operações em um a dois meses, no caso de suspensão da guerra.

 

A consultoria estima que as exportações de minério podem cair de 400 mil a 1 milhão de tonelada ao mês no caso de um conflito congelado e normalizar dentro três a seis meses no caso de paz.

 

Austrália e Brasil são os dois grandes exportadores de minério de ferro para a China, que adquire no exterior 1,1 bilhão de toneladas ao ano. A seguir vêm África, Ucrânia e Rússia.

 

Germano Mendes de Paula, professor-doutor da Universidade Federal de Uberlândia, e especialista em indústria siderúrgica, diz que uma forma de acompanhar a situação da mineração de ferro da Ucrânia é seguir a evolução das ações da Ferrexpo, que é a terceira maior exportadora de pelotas de ferro do mundo.

 

Como é listada na Bolsa de Londres, a empresa tem que divulgar relatórios financeiros com regularidade, bem como fatos relevantes. Conforme informações obtidas pelo especialista, em 2021 as receitas da Ferrexpo foram de US$ 2,5 bilhões, representando expansão de 48% frente a 2020. O empresário ucraniano Kostyantin Zhevago é o acionista majoritário da companhia.

 

A Ferrexpo respondeu por 14% da produção ucraniana de minério de ferro em 2021. De janeiro ao fim de março, produziu 2,7 milhões de toneladas de pelotas, registrando uma queda de 11% em relação ao trimestre anterior.

 

Na divulgação dos resultados, a empresa informou que a principal razão da queda são as restrições operacionais e logísticas após a invasão da Ucrânia pela Rússia. As vias logísticas para a Europa (ferroviária e barcaças) continuam abertas, enquanto a atividade no porto de Pivdennyi, no Mar Negro, continua suspensa.

 

Por causa do conflito, a empresa decidiu suspender a expansão do projeto que ampliaria a capacidade de produção de pelotas em 3 milhões de toneladas. Com o investimento, passaria de 12 milhões para 15 milhões de toneladas anuais dentro de três anos.

 

Segundo o executivo-chefe da empresa, Jim North, as operações e comunidades locais estão fora das principais zonas de conflito na Ucrânia, permitindo continuar as atividades, incluindo a entrega de pelotas para clientes na Europa via ferrovia e barcaça, que historicamente representaram cerca de 50% das vendas.

 

“O porto de Pivdennyi, no entanto, onde está localizado o cais do grupo, permanece fechado e estamos analisando métodos alternativos de entrega de nossos produtos aos mercados marítimos”, disse o executivo.

 

Devido aos riscos da guerra, o grupo ArcelorMittal decidiu adiar a construção de uma usina de pelotização de ferro no país, apta a fazer 5 milhões de toneladas por ano. Estava planejada para ser concluída no quarto trimestre de 2023. Com a usina, moderna, o objetivo era baixar a pegada ambiental – menos emissões de CO2. Iria substituir duas plantas de sinterização (aglomeração de minério fino) existentes. Os investimentos no projeto são estimados em US$ 300 milhões.


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